terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Rascunho

Esta semana, escrevi uma matéria sobre o livro "As Melhores Entrevistas do Rascunho", que traz melhores momentos de um jornal literário de Curitiba. A obra traz depoimentos de 15 escritores, como Bernardo Carvalho, João Ubaldo, Milton Hatoum, entre outros.

Fiz uma entrevista interessante, por email, com o editor do livro, Luís Pellanda. Como não usei tudo na matéria, achei que seria uma boa compartilhar a entrevista na internet. Espero que seja de bom proveito para alguém.


Quais foram os critérios usados para selecionar as melhores entrevistas do Rascunho?

Na verdade, não há muito segredo. Lancei mão de uma mistura nada complexa de critérios objetivos e subjetivos, tendendo um tanto mais, como acontece com as antologias literárias, para os da segunda categoria. É complicado fugir de certo gosto pessoal quando se faz qualquer seleção. No caso deste livro, em especial, os critérios objetivos foram relativamente poucos. Por querer traçar um panorama ligeiro da literatura nacional contemporânea dos últimos anos, eu precisava escolher entre as entrevistas realmente extensas publicadas no Rascunho, e entre entrevistados necessariamente brasileiros. De cara, portanto, já descartei gente como José Saramago, Jonathan Coe, Mia Couto e Enrique Vila-Matas. Mas isso não facilitou muito as coisas. Dentre as centenas de entrevistas restantes, eu ainda tinha que eleger as tais “melhores”, entre os autores mais “influentes” de seu tempo. E aí a subjetividade. Pedreira pura. Quem e o que define o que é melhor e mais relevante, afinal? Bem, existe um senso comum, é claro, mas ele não é exato. Às vezes nem chega a ser justo. Assim, tentei não me pautar pelo meu gosto apenas no que se refere à obra ficcional dos 15 autores escolhidos para este volume inaugural do livro, embora efetivamente eu goste do trabalho de muitos deles. Busquei dar preferência às entrevistas — e não aos autores — que dissessem mais sobre os entrevistados, sua escrita, seu país e sua época. Isso nos daria não apenas uma ótima visão geral da produção brasileira da primeira década do século 21, mas também acabaria por nos fornecer um traçado do que foram esses dez primeiros anos de atividade do Rascunho.

Quais são os principais destaques desse primeiro volume?

Acho que o destaque do livro é realmente o trabalho coletivo que ele evidencia. Estamos falando de um jornal literário comercialmente independente que, sem ganhar dinheiro algum, sobreviveu durante dez anos num país onde quase ninguém lê ficção. Não é exagero. E o feito não é pequeno, como talvez possa parecer aos que engrossam a maioria não-leitora. A sobrevivência de um veículo tão improvável e deficitário não se deve, logicamente, apenas à insistência do seu editor Rogério Pereira — que fundou o Rascunho em abril de 2000, em Curitiba, auxiliado por uns poucos amigos leitores —, mas ao trabalho gratuito de muitas centenas de colaboradores que, durante uma década, vêm escrevendo para o jornal sem receber um tostão por isso. Romanticamente, podemos dizer que, se você abre mão do dinheiro, você está livre. Não é bem assim, todos sabemos disso, mas, às vezes, uma ou outra coisa bacana acaba dando certo no Brasil, por mais inviável que pareça. O Rascunho é uma delas.

Qual sua opinião sobre a literatura brasileira produzida no século 21? E sobre o mercado editorial?

Essa pergunta é bastante difícil de responder em poucas linhas, mas, como leitor frequente, tentarei resumir o que penso da literatura brasileira de hoje. Atualmente, ainda bem, ela se caracteriza por uma vasta diversidade de intenções. Há olhares de todo tipo e de diversas intensidades, sobre temas variados. Há escritores bons e escritores ruins, há os profundos e os mais rasos, como em qualquer grande conjunto literário nacional. Mas o melhor de tudo é que não há, em nossa literatura atual, uma tendência unificadora forte. Há de tudo. E, dessa variedade, dessa bagunça, o tempo saberá peneirar o que for melhor. Ou talvez não, e quem sabe isso nem nos interesse? Como mortais que somos, presos ao pequeno intervalo de vida que nos cabe vencer, nossa participação nisso tudo é ler o que quisermos, contemporâneo ou não, enquanto houver tempo para isso. Que cada leitor faça o seu juízo a respeito do que lê, e que cada autor construa a sua obra. Já o mercado editorial brasileiro, se analisarmos a questão sob esse aspecto quantitativo, deve viver um ótimo momento. A quantidade de leitores em potencial vem crescendo, é o que me parece, e o interesse pela literatura, ou pelo menos por seu entorno, também. O que mais explicaria o aumento do número de feiras e eventos literários Brasil afora que se vem registrando ultimamente? O próprio lançamento do livro do Rascunho é prova disso. Temos leitores. Por outro lado, não me parece muito saudável o tipo de discussão que, entre os editores, tem se tornado comum por aí. Me refiro às brigas públicas que temos acompanhado, envolvendo premiações a este ou aquele autor, e também à pressão mercadológica cada vez mais corriqueira sobre os autores estreantes, para que escrevam somente romances — abrindo mão da poesia, do conto e da crônica por estes serem, digamos, menos “vendáveis”. Uma maluquice completa. É como se o mercado editorial brasileiro tivesse visto dinheiro pela primeira vez depois de muitos anos e — equivocadamente — quisesse aproveitar o momento miraculoso para ganhar um pouquinho mais. Isso pode ser apenas um doloroso tiro no pé. Afinal, nunca é demais lembrar da carta de recusa a Moby Dick, enviada a Melville em 1851, por uma editora: “Não achamos que possa funcionar no mercado de literatura para jovens. É longo e de estilo antiquado”.

Na orelha do livro, há uma fala sua indicando que o Rascunho só existe graças à paixão e colaboração gratuita. Quais são as principais dificuldades em se fazer um periódico dedicado à literatura? O precisaria ser feito para que os problemas fossem solucionados?

As dificuldades, não é surpresa, estão ligadas à falta de grana que envolve todo o projeto do Rascunho, desde o seu início. Falta de anunciantes interessados pelo público da literatura (isso inclui livrarias e editoras), escassez de mecenas milagrosos (seja na área pública ou na iniciativa privada), problemas relacionados à distribuição do jornal e à impossibilidade de se pagar colaboradores e “profissionalizar” a coisa de uma vez por todas. Por outro lado, essas complicações acabam por dar força e liberdade ao jornal. Como disse mais acima, não há independência maior que prescindir de dinheiro para sobreviver. Na pindaíba, também se aprende a ser duro e, quando o dinheiro surge, a situação tende a melhorar. É só manter o prumo. Agora, como mudar esse cenário? Não sei dizer. Se olharmos de longe, buscando uma visão panorâmica do problema, veremos um quadro de catástrofe. É um problema gravíssimo de educação e formação cultural. O brasileiro lê pouco, sim. Está lendo um pouquinho mais, mas ainda estamos longe de qualquer situação minimamente decente. O caminho que temos pela frente é longo e, a cada um, escritores, jornalistas, professores etc., cabe cumprir a sua parte. É possível que alguém, irritado com essa obviedade, me pergunte: mas de quem é a culpa, ora, é nossa? Não. Minha não é. A culpa é de gerações e gerações de políticos canalhas que vêm se perpetuando no poder desde que o Brasil é Brasil. Não estou generalizando, não. Se houver exceções, que se manifestem trabalhando contra a ignorância. Não estarão fazendo mais que a sua obrigação.

Quais serão as entrevistas do próximo volume?

Ainda não posso dizer, Cinthya, lamento. Estou trabalhando com 25 autores. Preciso cortar dez. Um trabalho sofrido e delicado. Vamos ver no que dá.

sábado, 8 de janeiro de 2011

ÉPOCA DE VIRADA

Segue reportagem publicada no último dia de 2010, em que discuto as intensas transformações na indústria musical na década que se encerrou semana passada.


ÉPOCA DE VIRADA


Hoje, dia 31 de dezembro de 2010, fecha-se uma década marcada por intensas transformações de paradigmas na indústria da música. Enquanto há dez anos o Metallica entrava na justiça para tentar impedir o Napster (pioneiro site de compartilhamento de dados), hoje a grande maioria dos músicos espalhados pelo mundo se beneficia de tudo que a internet pode oferecer a quem quer divulgar sua arte.

MySpace, Youtube, Last FM, iMúsica, PalcoMP3 e Torrentz são alguns sites criados ao longo dos anos 2000 que permitiram que qualquer pessoa tenha acesso a todo tipo de música – tanto de forma legal quanto ilegal. Aparelhos portáteis que tocam Cds se tornaram arcaicos. Hoje é possível ouvir centenas de faixas dos artistas preferidos pelo celular ou carregar discografias completas em iPods.

A venda física de Cds declinou vertiginosamente. Um exemplo: a banda Jota Quest, uma das mais populares do país há mais de 15 anos e um dos principais nomes da gigante Sony Music, viu seu “De Volta ao Planeta” (1998) ter uma tiragem de 1, 5 milhão de cópias. Já o seu último álbum, “La Plata” (2008) vendeu 150 mil exemplares – número muito bom para a atualidade. O fato se repetiu com todos artistas famosos, de Marisa Monte a Zezé di Camargo & Luciano.

Só a pirataria não justifica tal queda. A popularização do acesso ao computador foi uma grande responsável pelo fenômeno, já que um único disco pode ser reproduzido em incontáveis computadores (um adolescente pode muito bem gravar cópias para seus amigos por meio de Cds virgens comprados por menos de R$ 1). Além disso, há os diversos sites de compartilhamento na rede. Com a grande oferta de banda larga, a discografia de um artista de vida longa (como os Rolling Stones, por exemplo) pode ser baixada em poucas horas.

Ter gravadora deixou de ser o grande sonho de boa parte dos artistas brasileiros. São inúmeros os casos de famosos da MPB que passaram a trabalhar de forma independente – Elba Ramalho, Alceu Valença e Zeca Baleiro são alguns exemplos – e outros tantos que conquistaram o sucesso nacional de forma independente. graças à divulgação pela rede – como Mombojó, Móveis Coloniais de Acaju e Autoramas.

Há mais de 45 anos atuando na indústria musical, Pena Schmidt (hoje diretor do Auditório Ibirapuera, em São Paulo) enxerga com muitos bons olhos as mudanças de paradigmas dos últimos anos. “Tivemos um século inteiro de música gravada em suportes físicos, como vinis e Cds, e agora temos algo totalmente diferente. Antes a sociedade se relacionava com a música tendo a indústria fonográfica como intermediadora. Eram as gravadoras que escolhiam o que íamos ouvir”, afirma.

Segundo ele, o filtro continua a existir, mas atualmente de outra forma. “Hoje são os festivais de rock, as casas noturnas, os auditórios de shows que fazem as escolhas. Aumentou consideravelmente o leque de ofertas”.

Os festivais de música ganharam novo sentido no século XXI. Bastante cultuados nos anos 1960 e decadentes nas décadas seguintes, nos anos 2000 os festivais passaram a ser fundamentais para a circulação de artistas independentes. Claro que há muitos festivais do mainstream ainda no país – caso do Rock in Rio, que volta com força total no ano que vem – , mas aqueles que oferecem novidades estéticas são os do cenário indie – como o Jambolada, em Uberlândia, o Coquetel Molotov, em Recife, e o Goiânia Noise, em Goiás.

“Cada festival tem um compromisso com a cena local, permitindo ser uma vitrine para os artistas da cidade. As rádios não são mais as referências para quem busca novidades, mas sim nos festivais. São nesses eventos que os músicos ganham destaque. Lucas Santtana, por exemplo, antes de ficar famoso em todo o país, viajou por vários festivais brasileiros”, conta Talles Lopes, organizador do Jambolada e presidente da Associação Brasileira de Festivais Independentes a partir de 2011.

O respeitado produtor musical Béco Dranoff (responsável pelo sucesso internacional de Bebel Gilberto, Bossacucanova, entre outros) acredita que a gratuidade da música via internet tem sido muito importante para a ampliação e divulgação da produção musical brasileira. “Isso é fundamental para um país continental, em que circular é tão difícil”, diz.

Segundo Dranoff, as grandes empresas da indústria musical foram as primeiras a sofrer com as transformações impostas pela popularização da internet, mas também foram as que tiveram de dar os primeiros passos na adaptação à nova realidade. “As gravadoras entenderam que não dá para mudar a situação e tiveram que aderir. As produtoras compreenderam que pela internet é possível gerar negócios. A música deixou de ser um objeto para ser arte a ser admirada em qualquer suporte”.

O impacto maior foi para os artistas, de acordo com Dranoff. “Nunca houve tanta música sendo feita no mundo. A destruição do modelo antigo permitiu uma grande abertura. Mas ainda estamos no meio de um processo. No exterior, o trabalho está mais adiantado. Ao ponto de uma banda como Radiohead permitir que o próprio público desse o preço pelo disco”, conta o produtor, acreditando que, na década que se inaugura a partir de amanhã, os brasileiros vão aprender a dar maior valor ao download pago.


As gravadoras também tiveram que se adequar às transformações. De acordo com Fábio Silveira, gerente de negócios da Deckdisc, as empresas tiveram que diversificar os serviços prestados aos músico. Além da realização e distribuição de discos, agora deve-se cuidar da agenda de shows, do marketing, dos direitos autorais, da disponibilização de dados pela internet. “A Deckdisc é hoje, ao mesmo tempo, gravadora, editora e responsável pelo agenciamento”, conta.

A Deckdisc também tem provado ao mercado, no final desta década, que mesmo com o crescimento da música virtual, ainda há muitas pessoas interessadas no suporte físico. O vinil, que parecia fadado a morrer no Brasil, tomou novo fôlego em 2010 com a reabertura da Polysom em Belford Roxo. O retorno da produção de LPs foi uma aposta de João Augusto, dono da Deck e da Polysom. Um investimento que parece estar dando resultado. “O vinil de 'Chiaroscuro', da Pitty, já está na segunda prensagem e temos recebido muitos pedidos de todos os discos lançados. Só não fazemos mais mais porque os impostos são muitos altos. Enquanto os Cds são fabricados na Zona Franca de Manaus (região livre de vários impostos), os vinis são feitos no Rio de Janeiro. Cerca de 60% do valor final do LP é referente a impostos”, explica Fábio Oliveira.


Hoje em Dia

Esta semana completei um ano como repórter do Hoje em Dia. Comemoro muito isso. Em 2010, tive muitas realizações profissionais, especialmente no início de junho, quando passei a integrar a equipe de Cultura. Trabalho onde eu quero, com adoráveis colegas, fazendo o que eu mais amo: escrever sobre cultura.
Infelizmente, não tenho tempo para acompanhar de perto a produção cultural da cidade - afinal, quando não estou trabalhando, estou cuidando da minha filha linda. Mesmo assim, tenho feito o possível para encontrar novidades musicais, passeando por sites como Trama Virtual e MySpace. Espero que, com a coluninha de música independente de sexta-feira, eu esteja contribuindo para o jornalismo cultural de Belo Horizonte.
Que em 2011 eu faça reportagens bacanas, ajude a revelar alguns talentos e deixe algumas pulgas coçarem algumas orelhas por aí.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Presidenta

Dilma não era o meu nome preferido dentro do PT. Mas pouco importa se havia pessoas mais carismáticas e experientes em eleições dentro do partido. Agora, a única coisa que realmente importa, é que elegemos a primeira mulher presidente do Brasil. O significado disso é inexplicável.
A única coisa que desejo é que ela saiba dar conitnuidade ao governo que Lula fez, permitindo que esse antigo operário se tornasse o maior estadista desse país (sim, para mim ele está acima de Getúlio Vargas, que era ditador, e de Juscelino, que nos jogou numa dívida externa com reflexos intermináveis).
Quero mais é que as pessoas deixem de passar fome, nem que para isso seja necessário lançar máo de obras assistencialistas. Nosso presidente passou por isso e sabe muito bem: quem tem fome tem pressa. Quero que as universidades públicas sejam respeitadas em sua máxima excelência, produzindo tecnologia para que possamos concorrer de igual para igual com Índia e China. Quero que todos tenham acesso à educação e saúde de qualidade (isso é bem mais complicado). E principalmente, quero que Brasil seja soberano e se imponha como uma nação de grande relevância, algo que FHC não soube fazer. Na verdade, o ex-governante tucano preferia mostrar sua eloquência em outras línguas em vez de colocar o português como seu maior trunfo.
Seja bem vinda, Dilma. Que Deus lhe dê sabedoria para governar e consolidar a social-democracia. Que o faça bem e que o liberal tucano Aécio Neves não tenha tantas chances daqui a quatro anos.

Primeiro aninho de Catarina

Ela realmente era a dona da festa. Em sua primeira festinha de aniversário, Catarina deu show como anfitriã. Distribuiu sorrisos, risadas, brincou com as outras crianças, comeu salgadinhos e bolo de chocolate. Andou, tropeçou, não chorou, ficou imunda. Depois das 20h, teve que ir embora, para não ter sua rotina de sono abalada. Dentro do carro, ainda demonstrava euforia com gritinhos e brincadeirinhas.
Realmente o espírito festeiro é genético...
Catarina já mostrou que tem personalidade forte e sabe curtir a vida. Encheu a mamãe de orgulho...

terça-feira, 21 de setembro de 2010

BH: a cidade do "não pode"

Aquela velha frase “Belo Horizonte não tem opções de lazer”, tão entoada há alguns anos por insatisfeitos com a programação cultural da cidade, já não faz o menor sentido. Pelo contrário, a capital mineira está bem suprida de eventos que atendem a todos os gostos e, melhor ainda, oferecidos de forma bastante acessível – gratuitos ou com ingressos baratos. Com a ampliação das leis de incentivo, muitos festivais têm deixado o plano das ideias para finalmente serem praticados.

Mesmo assim, para que toda a população realmente usufrua da programação cultural, é necessário dar mais alguns passos. O primeiro deles é discutir o conceito de uso do espaço público entre os administradores da cidade. Afinal, de que adianta ter um espaço esplendoroso como o Palácio das Artes se a maior parte dos belo-horizontinos se sente constrangida em entrar ali? Seguranças de terno e gravata na porta, implicitamente, dão o recado: aqui a entrada é franca, mas não é para qualquer um.

Belo Horizonte é uma cidade que não sabe convidar seus moradores a saírem de casa e usufruírem o espaço público. A cidade conta com diversos parques, mas em todos há uma grande lista de restrições: não pode entrar com cachorro, não pode entrar com bicicleta, não pode tocar nas plantas, não pode pisar na grama. Não pode, não pode. O famoso piquenique, tão cultuado na Europa, está fora de cogitação. Mas nem tudo está perdido: pode-se caminhar na trilha determinada e pode-se conversar – mas não muito alto, para não quebrar a Lei do Silêncio.

Recentemente, a Prefeitura de Belo Horizonte se deparou com um grande grupo de jovens indignados com as restrições ao uso da Praça da Estação, imposta por meio de decreto. Divulgou-se muito que a indignação estava relacionada ao possível fim dos shows na praça, mas na verdade a moçada queria mesmo era debater o uso do espaço no dia a dia. Por que não ligar as belas fontes durante todo o dia e não apenas em horários determinados e restritos? Por que não permitir que os belo-horizontinos tomem banho de fonte em dias de intenso calor? Para alguns administradores, é preferível deixar a paisagem desértica da Praça da Estação inabitada, livre de pivetes interessados em se banhar e se refrescar.

Não só os moradores de Belo Horizonte como todos os turistas poderiam ser convidados a usufruir o espaço público e a riquíssima programação cultural que tomou todo o calendário da cidade. BH não é terra de esportes radicais – como tentou-se vender (erroneamente) no passado – nem é só a capital dos botecos. Aqui, é a terra do Palácio das Artes, do Museu da Pampulha, do Parque Municipal, da Barragem Santa Lúcia, do Museu de Mineralogia, da Praça do Papa...

Caidinho...

Santo Deus, como anda caidinho esse meu blog... isso que dá escrever profissionalmente. Passo o dia todo quebrando a cabeça para escrever bem para o jornal, que deixo de escrever por esporte...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Popularização dos e-books

Matéria minha publicada no último sábado:


A popularização dos livros eletrônicos pelo mundo está prestes a mudar paradigmas no mercado editorial. O aumento de leitores que possuem aparelhos Kindle, Nook ou iPad nos Estados Unidos já interferiu nos negócios das maiores lojas desse país. Recentemente, a Amazon divulgou que o número de vendas dos livros digitais já superou o do formato tradicional - nos últimos três meses, para cada cem livros de capa dura, a empresa vendeu 143 livros digitais. Detalhe: títulos gratuitos não foram incluídos nessa conta.


O impacto disso na vida dos leitores e no rendimento das editoras é muito claro. Com os chamados e-readers, as pessoas têm às suas mãos uma praticidade impressionante, pois podem carregar milhares de páginas de livros em um único aparelinho que pesa poucas gramas e pode facilmente ser carregado na bolsa. Por outro lado, as editoras terão de repensar seu sistema de faturamento, porque os valores de seus produtos não vão mais variar de acordo com o material dos livros, já que para os títulos digitais, a única coisa que importa é o conteúdo.
Na véspera do Dia do Escritor, o HOJE EM DIA perguntou àqueles que vivem das obras que produzem se as mudanças tecnológicas podem afetar os seus trabalhos. Afinal, a popularização dos livros eletrônicos também afeta o ofício do escritor?
De acordo com o poeta, ensaísta e contista mineiro Iacyr Anderson Freitas, muitos profissionais das letras devem mudar seu estilo para se adequar às demandas novas que o mercado deve trazer em breve. "Aquele escritor que é voltado para o mercado provavelmente vai mudar sua escrita. Antes, os best-sellers precisavam ter uma grande quantidade de páginas para justificar seus preços, mas isso deve ser alterado pelos livros eletrônicos. Obras com muitas páginas podem ficar cansativos num Kindle e vai ser necessário oferecer ao o leitor uma leitura mais ágil. Com o tempo, os autores vão se adaptar ao novo nicho de mercado dos leitores de e-books", explica.
Mas se o escritor não produz seus livros visando vendas, as novas tecnologias não lhe trarão grande impacto, segundo Freitas. "A literatura que não tem um espelhamento de mercado óbvio, como a poesia e os contos, ainda possui um grande diálogo com a tradição. É claro que vai sofrer algumas modificações com o tempo, mas a velocidade da alteração vai fluir de uma forma mais lenta", afirma.
Para Freitas, os e-books poderão contribuir para a popularização da leitura, já que um título eletrônico pode ser comercializado por poucos reais. Conforme um levantamento do Instituto Pró-Livro, elaborado em 2007, há cerca de 95 milhões de leitores que leem, em média, 1,3 livros por ano.
"Os romances devem ganhar edições primorosas, para ficar nas estantes, mas aqueles manuais que merecem constantes atualizações, os dicionários e os livros de entretenimento certamente vão ser muito apreciados na versão eletrônica", analisa o escritor.
O romancista Pedro Maciel diz que as novas tecnologias já influenciam os trabalhos dos autores. "Recebo e-mails de leitores de todas as partes do país e, às vezes, de outros países. Pode-se dizer que a internet está para os nossos dias assim como a invenção da prensa está para os tempos medievais. Enganam-se os críticos que afirmam que a nova geração não está lendo ou escrevendo. Eles estão lendo e escrevendo mais do que as gerações passadas e também estão revolucionando a língua, já que ela é um órgão vivo e está sujeita à modificações", opina Maciel, que acredita que as próximas gerações não terão mais um grande contato com os livros impressos.
Já a escritora Maria Esther Maciel acredita que o livro de papel ainda terá público cativo por muitos anos. Assim como muitos autores têm uma relação de afeto grande com o objeto livro, boa parte de seus leitores também tem.
"Não dá para prever o que vai acontecer com o livro, mas acredito que os dois suportes (eletrônico e impresso) vão conviver simultaneamente. Eu tenho uma relação importante com o objeto, gosto da textura e do cheiro de um livro. Vejo-o como imprescindível na minha vida. Encaro o e-book como algo que vai contribuir muito para o acesso à literatura, mas isso não vai acabar com o tradicional", conta Maria Esther, que não pretende mudar sua escrita para adequar seus textos à nova realidade dos Ipads e Kindles.
Mas no campo dos livros científicos, as novas tecnologias talvez não tragam tantas mudanças. De acordo com a historiadora Mary del Priore, há barreiras a serem ultrapassadas antes que os e-books científicos ganhem espaço no mercado. Afinal, o próprio meio acadêmico enxerga com preconceito a difusão de conhecimentos para o grande público.
"O crescimento da venda de livros teóricos e de história passa pela ultrapassagem de outros obstáculos. O da linguagem é, talvez, o mais nevrálgico. Nosso maior problema e adequarmos conceitos e conteúdos de forma a difundir horizontalmente o conhecimento. É preciso adequar nosso textos aos usos pedagógicos da internet ajudando a renovar os métodos educativos sobre a disciplina. Para isso a vulgarização do conhecimento histórico é fundamental", explica.
A mudança, segundo ela, não passa pelo mercado editorial, mas sim pelos acadêmicos. "Para vendermos mais livros de história não precisamos de livros eletrônicos, mas de uma linguagem fácil, clara e acessível para multiplicar leitores".
É bom lembrar que, embora já seja uma realidade nos Estados Unidos, o livro eletrônico ainda é artigo de luxo no Brasil. O Kindle, criado pela Amazon, pode ser importado, com impostos, por cerca de US$ 500 (ou seja, algo próximo de R$ 1.000). Mais populares no Brasil, os netbooks (aqueles computadores pequeninos, do tamanho de um caderno) também podem ser boas alternativas para a leitura de e-books.
Para os belo-horizontinos apaixonados por novas tecnologias, uma boa notícia: a rede de livrarias Leitura começa a vender versões em português de livros eletrônicos a partir do início de agosto.

domingo, 25 de julho de 2010

Famosos que adoro - Parte 1

Não faço o tipo tiete de ninguém, mas gostaria de manifestar minha afeição por algumas pessoas que fazem o mundo da mídia ser bem mais interessante do que as futilidades tão exaltadas:

Bruno Mazzeo
Nunca gostei muito de Chico Anysio, na verdade, até tinha muito medo dele quando era criança. Mas quando o assunto é o seu filho Bruno... Adoro aquele humor mal-humorado que transformou "Cilada" em um dos melhores programas da Tv brasileira. Trata-se de uma pessoa crítica, que sabe enxergar profundidade no que a sociedade sustenta com superficialidade.

Luis Nassif
O único jornalista independente brasileiro que sabe questionar com ética e elegância. Seu site é um dos espaços mais democráticos e substanciais da internet no Brasil.

Gisele Bünchen
Até hoje, só vi um erro nesta mulher: desfilar para uma marca de casacos de pele. Tirando isso, é uma pessoa simpática, inteligente e espontânea. Sua entrevista recente no "Fantástico", dizendo que tinha tido o parto em casa e que não ia contratar babá nos primeiros meses de vida de seu Benjamim, foi inspiradora. Enquanto há mulheres no Brasil que estão dispostas a enfrentar estrada para fazer cesária de forma mais barata, a mulher mais linda do país fez questão de ter seu filho da maneira mais natural possível.

Marília Gabriela
Melhor entrevistadora desse país, envolvente, e já fez muito sexo com o homem mais bonito desse país. Quero ser Gabi quando crescer.

Fernanda Montenegro
Ela tem 80 anos e está muuuuuuuito melhor do que qualquer colega com a mesma idade. Com um detalhe: enquanto as outras fazem várias plásticas, ela envelheceu com elegância, aceitando cada ruga que o tempo lhe deu. E continua a ser a maior atriz do país.

Gilberto Gil
Mesmo com tantos anos de carreira, continua compondo e se reinventando. É um grande artista no placo e foi um grande ministro. É a pessoa mais simpática, generosa e acessível que já entrevistei - e olha que ele era ministro na época. E além de tudo, está à frente de todos seus colegas, querendo dispor suas músicas na internet, visando a democratização do acesso à cultura por meio da internet. Gil é o cara.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Catarina - nove meses


O trabalho é tão intenso, a vida é uma grande correria, e quando menos percebemos... o neném já ameaça dar seus primeiros passinhos. A minha linda Catarina não fica mais parada nem quando está no carrinho. Só quer saber de ficar em pé... Dança na frente da TV, conversa com as pessoas que ama, esbanja simpatia em qualquer ambiente...

Direitos autorais: Minc x músicos

Você tem um Ipod? Sabia que está cometendo um crime ao ouvir suas músicas favoritas que gravou nesse aparelhinho? Sabia também que, quando aquele DJ utiliza trechos de músicas, deve pagar direitos autorais sobre todas? Acredita que, até hoje, a prática do jabá é constante pelo Brasil afora e que no Nordeste é comum ver gravadoras pagando para que as rádios não toquem canções dos artistas concorrentes? Já contaram que tirar xerox daquele livro cuja edição está esgotada ou assistir a filme em sala de aula são ações ainda proibidas?


Há um abismo entre as práticas sociais da atualidade e o que está determinado na Lei dos Direitos Autorais. A tecnologia traz novidades e, hoje, a troca de músicas, textos, imagens e vídeos por meio da Internet faz com que as regras referentes aos direitos dos criadores sejam questionadas por muitos intelectuais.


Para tentar adequar as necessidades dos autores às dos usuários, vislumbrando uma realidade de intensa troca de arquivos eletrônicos, o Ministério da Cultura (Minc) lançou, mês passado, consulta pública sobre o anteprojeto que altera a Lei dos Direitos Autorais (nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998).


Entre as propostas estão a criminalização do Jabá, a permissão para cópias de bens comprados legalmente para uso pessoal (como uma cópia do CD para MP3) e a criação de mecanismos para que obras possam ser copiadas para conservação (digitalização de músicas e filmes, por exemplo).


A principal diferença é que a nova legislação prevê espaço para uso amigável e também maior flexibilidade aos autores à discussão de prazos e condições de cessão.


Mas as ideias do Minc não estão sendo bem recebidas por boa parte da classe musical. Dois pontos geram grande polêmica: a criação do Instituto Brasileiro de Direito Autoral, com a finalidade de regular e supervisionar as entidades de arrecadação de direitos, e a retirada do “poder absoluto” do autor sobre sua própria obra – mesmo que o autor não aprove a reprodução de uma música sua, o Ministério da Cultura pode permiti-la, em nome do “acesso à cultura”.


Fernando Brant, presidente da União Brasileira de Compositores (UBC), é categórico ao afirmar que o Minc não pode alterar a estrutura de uma lei votada em plenário, depois de dez anos de reivindicação da classe artística.


“Essa é uma tentativa de intervenção do Estado em um direito privado que é a propriedade intelectual. Poderia haver uma modernização da lei, mas o que eles querem é mudar toda a estrutura”, afirma o compositor mineiro.


Para ele, a fiscalização sobre o Ecad já é feita pelos ministérios da Fazenda e do Trabalho – por ser uma entidade privada – e quem deve observar a arrecadação e a distribuição dos valores referentes aos direitos autorais são os artistas.


Várias associações de músicos e o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) promoveram uma grande manifestação no mês passado, na Sala Baden Powell, no Rio de Janeiro. Entre os artistas presentes estavam Sandra de Sá, Rick (da dupla Rick e Renner), Danilo Caymmi, Fernando Brant, Nei Lopes, Walter Franco e Selma Reis.


A cantora Joelma, sucesso com “Pombinha Branca” há duas décadas, estava entre os indignados. “Nós levamos dez anos para discutir o que desejávamos e já utilizamos a lei há 11 anos. Querem tirar da mão do autor a propriedade”, protesta. “Eu quero ter o direito de dizer ‘não vai tocar’ ou ‘não vai gravar’ a minha música. O que o Ministério pretende é inconstitucional” – afirma a cantora, completando que juristas também estão contra às propostas do Minc.


Durante a manifestação, Joelma cantou a canção que, diz ela, é o hino da luta contra a mudança na lei: “Tira a mão do meu direito/ quem anda direito sou eu/ tira a mão do meu dinheiro/ quem manda nele sou eu”.


Pedro Luís, líder das bandas Monobloco e Pedro Luís e A Parede, também não concorda com a proposta de criação de órgão federal para fiscalizar o caminho do dinheiro dos direitos autorais.


“As associações de músicos têm conseguido se organizar cada vez melhor, evoluíram muito nos últimos anos. Claro que têm que melhorar a arrecadação, mas já é muito melhor do que há 20 anos, quando comecei. Para que aumentar a burocratização se já existe um sistema que funciona?”, opina o músico.


Muitos artistas reclamam que o Minc não os consultou para que o anteprojeto fosse desenvolvido. Mas todos podem dar sua opinião na consulta pública disponibilizada no site do Ministério.


De quem é o som nosso de cada dia?


De acordo com Renato Dolabella, professor universitário e advogado especialista em Propriedade Intelectual, o que está em discussão, com a proposta de nova lei dos direitos autorais, não é a existência de uma entidade de arrecadação de direitos autorais, como o Ecad, nem a necessidade de se pagar os direitos devidos aos criadores. Para ele, o que Estado e sociedade civil devem levar em conta é a busca do equilíbrio entre interesses dos autores e dos usuários da arte.


“A consulta pública é muito positiva, pois a legislação merece uma revisão. Há uma série de questões que merecem uma discussão mais profunda e crítica”, registra o advogado, que acredita na importância de se rever o trabalho do Ecad.


De acordo com Dolabella, o Ecad está sendo investigado pela Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça por formação de cartel. “O Ecad é formado por várias associações e todas estipularam o mesmo valor pelas músicas. Isso atrapalha a concorrência no mercado fonográfico. Cada associação poderia ter um preço, e uma rádio, por exemplo, escolheria tocar as músicas daquela que oferece os melhores valores”, explica o especialista.


“Ninguém questiona a existência do Ecad, mas sim a forma com que seu trabalho é exercido, se sua atuação é abusiva ou não”, completa.


Para Fernando Brant, direitos do consumidor não podem ser colocados no mesmo baú dos direitos autorais. “Quando minha música é tocada numa rádio ou numa televisão, não há uma relação entre mim e o consumidor. A relação é entre ele e a emissora. Quem estipula o preço somos nós músicos. Quem não concorda em pagar os direitos não pode tocá-la”.


O compositor mineiro Celso Adolfo espera que essa conversa não caminhe para o fim das entidades de arrecadação. “Já vi muitos políticos desejando o fim do Ecad. Como eles são donos de emissoras de rádio e TV, querem que o direito autoral acabe para terem maior lucro. Mas se eles podem ganhar dinheiro com a música em seus programas, por que nós artistas também não podemos?”, questiona.


Vander Lee afirma que o problema não é a legislação, mas a arrecadação. “A minha carreira só cresce e os meus rendimentos caem porque não há arrecadação na internet. Quem deve pagar pelos direitos autorais são os donos dos portais, que ganham dinheiro com publicidade em páginas que disponibilizam nossas músicas gratuitamente. Temos que encontrar uma maneira de tributar a distribuição de músicas na internet”, afirma Vander Lee.


Vitor Santana vê pontos positivos nas propostas do Minc. De acordo com o músico, a tecnologia trouxe mudanças nos paradigmas da indústria fonográfica e a legislação deve estar de acordo com as novidades oferecidas pelos meios eletrônicos.


“Fui convencido de que deve haver uma supervisão do trabalho do Ecad, até porque isso existe em boa parte dos países europeus e da América Latina. Também achei ótimo ter a criminalização do jabá”. Entre os 20 maiores mercados de música no mundo, o Brasil é o único que não possui estruturas administrativas estatais para supervisionar esse tipo de arrecadação.


Mas o cantor e compositor acredita que se deve respeitar o pagamento devido aos autores, principalmente porque muitos compositores vivem apenas de seus direitos autorais, pois não fazem shows. “Meus parceiros Fernando Brant e Murilo Antunes não podem ser prejudicados depois de terem sido pessoas importantes para a construção do patrimônio cultural brasileiro”, registra Santana.


Outros artistas têm defendido a iniciativa do Minc. Tim Rescala, Roberto Frejat e Luiz Caldas são alguns nomes que já se pronunciaram, publicamente, pela criação de um órgão que possa fiscalizar a atuação do Ecad.


Em artigo publicado no jornal “O Globo”, o antropólogo e criador do site Overmundo, Hermano Vianna, é um dos defensores das mudanças previstas no anteprojeto.


“Ter um carro é diferente de ter um livro. Se alguém rouba meu carro, fico sem o carro. Mas, se alguém me rouba um livro já lido, fico sem o objeto de papel; porém, seu conteúdo continuará presente em minha memória, já misturado às minhas próprias ideias, gerando novas ideias impulsionadas pela leitura. O conteúdo do livro passa a ser propriedade coletiva depois de determinado tempo, podendo ser usado por todos, em nome do bem comum”, escreve Vianna.


Por nota, o Ecad afirma que só vai se pronunciar após analisar na íntegra o anteprojeto.


A entidade diz ainda que seu trabalho é auditado anualmente por empresas independentes de renome no mercado e pela Receita Federal.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Vício?

Fiquei dez dias sem meu computador. Há alguns anos, isso não seria um problema. "Já passo o dia todo em frente ao computador. Por que vou fazer isso em casa?", eu costumava dizer.
Mas hoje a história é outra. Não sei bem se é culpa da minha quietude - afinal, agora tenho que ficar em casa em praticamente todas as noites - ou se fiquei viciada mesmo. Só sei dizer que ficar longe do Twitter por muito tempo ou ficar sem poder carregar minhas fotos são motivos para me deixar bem incomodada.

domingo, 20 de junho de 2010

Não sou nenhuma especialista em literatura e essa nem é a área que cubro atualmente no caderno de Cultura do Hoje em Dia. Mas calhou de eu escrever sobre a morte do meu escritor favorito por uma brincadeira do destino. Dois dias antes da morte de Saramago, eu havia recebido por email a entrevista com seu biógrafo.
Muito difícil escrever sobre um escritor muito genial. Qualquer coisa que se diga sobre ele é muito pequeno. Mesmo assim, escrevi sobre duas matérias sobre Saramago e a primeira parte publico logo abaixo.


Morre, aos 87 anos, o escritor português José Saramago

José Saramago se despede como comunista convicto e o único Nobel da literatura em língua portuguesa. Confira infografia com as principais obras do escritor


O mundo não perdeu nesta sexta-feira (18) apenas um dos maiores sucessos editoriais das últimas décadas e único escritor de língua portuguesa laureado com o Prêmio Nobel de Literatura. A morte de José Saramago significa muito mais que o fim da produção de belas e polêmicas obras: simboliza também a despedida de uma geração que acreditava em presenciar um mundo mais igualitário. Comunista e humanista, o escritor português soube, como pouquíssimos, questionar em seus livros as instituições, o individualismo, o materialismo e a pequenez dos homens.

José Saramago morreu aos 87 anos, enquanto tomava café da manhã com a mulher, Pilar del Rio, na sua casa em Lanzarote (Ilhas Canárias). Ele foi hospitalizado diversas vezes nos últimos anos, principalmente por conta de problemas respiratórios.

Saramago nasceu na aldeia ribatejana de Azinhaga, no dia 16 de novembro de 1922. Seus pais foram para Lisboa antes dos três anos de idade do escritor. Ele fez estudos secundários que não concluiu por consequência de dificuldades econômicas.

Em 1972 e 1973, ele fez parte da redação do Jornal “Diário de Lisboa”, onde foi comentarista político, tendo também coordenado, durante alguns meses, o suplemento cultural da publicação. Entre abril e novembro de 1975, foi diretor-adjunto do “Diário de Notícias”. Desde 1976, vivia exclusivamente do seu trabalho literário.

Embora seu primeiro romance, “Terra do Pecado” tenha sido lançado em 1947, Saramago ganhou notoriedade em 1980, com “Levantando do Chão” – que viria a inaugurar o chamado “estilo saramaguiano”: a narrativa fluida, próxima da oralidade, que desobedece as normas formais da linguagem.

Ele criaria depois grandes sucessos editoriais como “Memorial do Convento”, “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, “A Caverna” e “Ensaio sobre a Lucidez”, “A Viagem do Elefante”, entre outros.

Best-seller absoluto, “Ensaio sobre a Cegueira” recebeu adaptação cinematográfica em 2008, dirigida por Fernando Meireles e protagonizada por Julianne Moore.
Em 1995, José Saramago ganhou o Prêmio Camões e, em 1998, recebeu o Prêmio Nobel da Literatura – feito que, até o momento, nenhum outro escritor de língua portuguesa alcançou.

A polêmica foi uma constante em sua carreira, especialmente em 1992, quando o secretário de Cultura português vetou a indicação de “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” para Prêmio Literário Europeu. Na obra, o autor aproximava o protagonista da mortalidade, dando voz a um personagem que nasceu do amor entre Maria e José, casou-se com Maria Madalena e questionou a necessidade da crucificação. O ateu Saramago voltou a polemizar ao fazer uma nova releitura da Bíblia em seu último romance, “Caim”, publicado no ano passado.

O ateísmo de Saramago não era evidente apenas em suas obras, mas também uma constante nas inúmeras entrevistas que concedeu ao longo da carreira. Proferida aos quatro ventos, “O cérebro humano é um grande criador de absurdos e Deus é o maior deles” foi uma das frases mais marcantes ditas pelo escritor. Além da crença em uma força divina, a Igreja Católica era seu alvo rotineiro.

Em 2005, ele esteve em Belo Horizonte para lançar o romance “Intermitências da Morte” (livro que mostra o que aconteceria em uma cidade onde as pessoas deixassem de morrer). Saramago afirmou ao HOJE EM DIA que não sentia qualquer medo de perder a vida. “Quando tinha 16, 17 anos, e penso que isso deve acontecer com todos os homens, surgem aqueles momentos em que deixamos de ser crianças e a ideia da morte se apresenta com muita crueza. Hoje, com minha idade avançada, não vivo com a obsessão da morte”, relatou o escritor em entrevista ao repórter Alécio Cunha.

Nesta mesma entrevista, exibindo grande humildade, Saramago disse que todos os homens são filósofos e que não é preciso ter uma avançada instrução para se refletir sobre as questões mais profundas da humanidade. “Qualquer pessoa chegará, um certo dia, a pensar nas coisas sérias deste mundo, incluindo a morte. Isso já é uma atitude filosófica. Não me proponho a nenhuma reflexão profunda. Sou um ser humano qualquer, só que com um pouco mais de informação”.

sábado, 5 de junho de 2010

A tecnologia nos deixou caretas?




Semana passada, estive em São Paulo para ver a banda que mais idolatrei durante a adolescência: o Aerosmith. No Parque Antártica, cerca de 40 mil pessoas se apertaram para ver os pais do Hard Rock. E não faltaram hits - eu até tenho uma lista de músicas que gostaria de ter ouvido no show, mas ficaram de fora.
Mas, diferente do que eu imaginava, o público não pulou e "bateu cabeça" no bom e velho estilo rock and roll. Quando se olhava para a pista da arquibancada (onde eu estava), tudo o que se via era um monte (e põe monte nisso) de luzinhas de câmeras. A grande maioria das pessoas preferiam assistir a apresentação olhando para o visorzinho da câmera, do que pular e dançar ao som dos inúmeros sucessos do set list.
Eu já havia ficado impressionada com esse fênomeno no show dos Cramberries, mas não imaginava que se repetiria de tal forma no Aerosmith. Afinal, quando eu era adolescente e o Aerosmith era um dos principais nomes da música mundial, nós roqueiros "batíamos cabeça" em todos os shows. Todos mesmo.
No Parque Antártica, não pude deixar de me perguntar: a tecnologia nos deixou careta ou ela simplesmente reflete a caretice da minha geração, que deixou o rock para o passado e agora prefere assistir o mundo de uma telinha? A maioria esmagadora do público estava nas casas dos 30, assim como foi no Cramberries. Por isso não posso generalizar, não sei como tem se comportado o pessoal que acabou de sair da adolescência. Mas como esses já escutam muitas bandas emo, dificilmente conseguirão fugir da caretice balzaquiana daqui a alguns anos.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Verba emperrada em Minas

Segue a reportagem "Verba emperrada", feita por mim e Bruno Moreno, que saiu hoje no Hoje em Dia. Sem rabo preso com o governo!


Dois dos principais programas culturais planejados para serem executados em Minas Gerais neste ano estão travados pela Secretaria de Estado da Cultura. Cem Pontos de Cultura continuam no papel e o Música Minas foi interrompido. O motivo: a resolução 23.089 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que impede a transferência de recursos públicos para entidades privadas em 2010, por ser um ano eleitoral.


A implementação dos cem Pontos de Cultura, que deveria ter sido realizada em 2009, demanda R$ 18,1 millhões, sendo R$ 12,1 milhões do Ministério da Cultura e R$ 6 milhões como contrapartida do Governo do Estado. O Música Minas receberia recursos estaduais que somam R$ 1,55 milhão.


Os Pontos de Cultura fazem parte do Programa Mais Cultura, do Ministério da Cultura (Minc), em parceria com os Governos Estaduais de todo país. Enquanto em Minas há um entrave para a implementação do programa, em todos os Estados da Federação, com exceção de Paraná e Rio Grande do Sul, os pontos estão em pleno funcionamento. Os projetos foram aprovados em julho de 2009, mas até agora não foram assinados. O argumento da Secretaria Estadual de Cultura é que a legislação eleitoral (lei 9.784/99) não permite. A decisão está baseada na Nota Jurídica número 2.264, de 14 de abril de 2010, em que a Advocacia-Geral do Estado (AGE) determinou que em todo o ano de 2010 não seja celebrado nenhum convênio entre órgão da administração pública estadual e entidades privadas sem fins lucrativos, prevendo o repasse de bens, valores e serviços para reverter para à população.


Entretanto, 20 dias depois, dia 4 de maio, o consultor jurídico do Minc Cláudio Péret Dias emitiu despacho (processo 01400.007052/2010-47) afirmando categoricamente que a legislação eleitoral não se aplica a “convênio, assumindo obrigações e, eventualmente, prestando contrapartida financeira ou em bens e serviços economicamente mensuráveis, tal como ocorre no Programa Mais Cultura/Pontos de Cultura”. Inclusive, secretários do Minc já vieram a Belo Horizonte negociar com o Governo de Minas o repasse dos recursos para os Pontos de Cultura do Estado.


O secretário de Estado de Cultura, Washington Mello, afirmou que está buscando soluções jurídicas para o impasse com colegas de outras localidades. “Em vários Estados foram assinados os convênios em 2009 e a liberação vem sendo feita ao longo de 2010. O Governo de Minas, por orientação da AGE, está consultando outros Estados, inclusive Bahia e Acre, sugeridos pelo MinC, para saber se firmaram convênio em 2010 para Pontos de Cultura e qual foi o argumento jurídico que resguardou as atitudes das Secretarias de Estado”, explicou.


Segundo ele, a AGE só permitiria o repasse de verbas se os pontos fossem programas sociais autorizados em lei e em execução orçamentária desde 2009 ou se fossem oriundos de convênios com contrapartida financeira ou de bens e serviços – o que não é o caso.


Mas a pergunta que fica para os realizadores culturais que conseguiram aprovar os Pontos de Cultura no difícil processo seletivo, é por que os convênios não foram assinados no ano passado, quando não havia restrição em relação à legislação eleitoral? O Minc recomenda aos conveniados que as assinaturas sejam feitas logo após o processo seletivo, ou seja, isso poderia ter sido feito há 11 meses, quando o comando da Secretaria de Cultura de Estado era de Paulo Brant. Procurado pela reportagem, o ex-secretário não retornou às ligações até o meio da tarde de quarta-feira (26).


De acordo com o atual secretário de Estado de Cultura, Washington Mello, os convênios poderiam realmente ter sido assinados em 2009, mas não houve entendimento entre a secretaria e os proponentes, até o final do ano passado, em relação à documentação exigida. Os projetos não estariam de acordo com as normas exigidas e isso teria atrasado a implementação dos Pontos de Cultura.


Mas como a Resolução 23.089 do TSE foi publicada em 1° de julho de 2009, a Secretaria de Estado de Cultura já sabia do impedimento legal e teve um semestre para avaliar e resolver os problemas da documentação dos proponentes, para que a implementação dos Pontos de Cultura pudesse ser oficializada antes de 1º de janeiro de 2010. Somente em 25 de março deste ano que a procuradora do Estado Juliana Schidt Fagundes comunicou à Consultoria Jurídica da AGE do problema do repasse de verbas.


De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura, a não assinatura dos convênios não invalida o processo de seleção, mas inviabiliza o cronograma inicial, além de prejudicar o atendimento nas comunidades em que os pontos estão inseridos. Os recursos bloqueados pela AGE devem ficar aplicados, e os rendimentos deverão ser usados no objeto do convênio após solicitação formal ao Minc ou deverão ser devolvidos para a União após o encerramento do convênio.


Dentre os cem projetos dos Pontos de Cultura aprovados em Minas Gerais, um deles é o “Favela é isso aí”, que atua com produção de comunicação e informação com jovens de aglomerado de toda a capital. Para a produtora Clarice Libânio, é possível que tenha havido no ano passado uma ingerência para que os convênios pudessem ser assinados. Entretanto, em 2010, ela acredita que a Secretaria está agindo de forma política.


O projeto “Favela é isso aí” consiste na transformação da sede da entidade, no Bairro da Serra, em um Centro de Referência da Cultura Popular Urbana e toda a produção será aberta à toda a comunidade. “A justificativa do projeto é o aces[TEXTO]so público à informação. Nós produzimos muita informação, mas publicamos pouco na internet. Não chega a um décimo do que poderíamos”, afirmou Libânio.


O Querubins, ONG que atende 200 crianças da comunidade Acaba Mundo, no Sion, é um dos cem Pontos de Cultura prejudicados. Lá, há projetos para oficinas de vídeo, mas não há infraestrutura para a realização, já que os recursos não foram repassados. “Tenho um déficit de R$ 10 mil por mês e temos que fazer vários eventos beneficentes durante o ano para tentar evitar um rombo. Somos aprovados em projetos governamentais, mas essas verbas nunca chegam”, desabafa Abelardo Castro, gestor administrativo-financeiro do Querubins.

Sem o recurso, toda a cadeia produtiva do Música Minas fica prejudicada

O Música Minas é um programa que incentiva a circulação de artistas mineiros por outros Estados e pelo exterior, permitindo assim uma maior divulgação da arte produzida no Estado. Como seus recursos são originários do Tesouro Estadual e os participantes do Fórum da Música são entidades privadas, a Advocacia Geral do Estado (AGE) entende que o repasse de recursos públicos para elas está vedado pela mesma Resolução 23.089.


A decisão de impedir que os recursos destinados ao programa pegou os artistas de surpresa. “Só soubemos do impedimento em abril. Se tivéssemos conhecimento disso no ano passado, poderíamos ter nos planejado, buscando alternativas ou procurando fazer o convênio em dezembro. Agora os 25 artistas contemplados deixam de viajar e assim ficam prejudicados toda uma cadeia produtiva formada por produtores, técnicos, donos de casas de shows, entre outros”, afirma Cláudia Brandão, membro do Fórum da Música e diretora do Museu Clube da Esquina.


Segundo ela, no ano passado os músicos que viajaram pelo Música Minas fizeram questão de falar em suas apresentações sobre as vantagens do programa e produziram ainda um catálogo e um DVD. “Vendemos para o mundo algo que hoje não existe. Essa descontinuidade faz com que percamos a credibilidade que ganhamos no mercado”.


Na quarta à noite, na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, os membros do Fórum da Música se reuniram com a classe artística para um debate sobre a descontinuidade do Fórum Minas. Em pauta, o fato de outros convênios do Governo de Minas terem sido renovados e a legalidade da determinação da AGE.


Em carta aberta, o Fórum da Música afirma que o ex-secretário de Estado de Cultura Paulo Brant garantiu em dezembro de 2009, em assembleia do setor, que o programa não seria interrompido.



quarta-feira, 12 de maio de 2010

Como não ser coruja?

Catarina veio ao mundo para ser muito especial não só para mim mas para todos que tiverem oportunidade de ter contato com ela. Além de ser uma neném muito linda e dona de uma simpatia fora do comum, ela é incrivelmente desenvolta. Antes de completar 30 dias de vida, ela já levantava o pescoço e assim permanecia por mais de um minuto. Prestes a completar seis meses, ela já estava ficando sentada e mamava sozinha, segurando a mamadeira. Duas semanas depois se aprender a sentar, ela já decidiu desvendar o mundo pelo chão. Assim que completou meio ano de vida, Catarina já aprendeu a engatinhar e agora se arrasta pelo chão de casa.
Eu acreditava que as próximas novidades só viriam depois do aniversário de sete meses, mas a neném já deixou o coração da mamãe acelerado novamente. Hoje ela ficou em pé no berço, sozinha, querendo ir até o gato, que acabava de entrar no quarto. Isso me encheu de felicidade, mas também de medo, já que se aproxima a possibilidade dela saltar para fora do berço.
Já contei essa história várias vezes hoje, tamanho é o orgulho que tenho sentido da minha filhinha. Espero saber estimular sua inteligência inegável nos próximos anos...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Literatura para Geração Y

Recentemente, fiz uma matéria para o caderno Plural sobre quais livros podemos indicar para adolescentes que gostam mais de computadores do que de papel. Afinal, o pessoal tá ficando tanto tempo em frente ao computador, que a leitura tem ficado em último plano.
Eu não pude dizer na matéria a minha sugestão. Aqui eu posso. Se eu conhecesse um jovem que não gosta muito de ler, eu recomendaria a ele Mario Prata, Luis Fernando Verissimo, Rubem Braga ou Rubem Fonseca. O Código da Vinci, de Dan Brown, também é bem convidativo. Machado de Assis, só depois dos 20 anos de idade...
Abaixo, a reportagem.


BOM E PARA SEMPRE

Autores e especialistas ensinam o caminho para o insubstituível prazer da leitura em tempos de Geração Y

CINTHYA OLIVEIRA

REPÓRTER


Em tempos de videogames, chat, MSN, Orkut, Facebook, Twitter e Youtube, os adolescentes são bombardeados constantemente por estímulos das mais diferentes mídias eletrônicas. A leitura que os jovens do século XXI conhecem, certamente, não é a mesma daqueles do século anterior. Afinal, o ciberespaço dispensa a linearidade e a forma planificada. Na Internet, a leitura não é mais feita da esquerda para a direita, de cima para baixo, mas sim um espaço para múltiplas visualizações. Nada impede que uma pessoa visualize um vídeo, uma foto e um texto, enquanto conversa com amigos pelo MSN. Tudo ao mesmo tempo.

Mas a Geração Y - nome dado a esses adolescentes que conseguem exercer diversas tarefas ao mesmo tempo em frente ao computador - pode enfrentar sérias dificuldades quando se depara com uma atividade tão simples, linear e que exige grande concentração como a leitura de um livro. Para muitos adolescentes, sentar-se num sofá por uma hora para desfrutar de um romance pode ser uma verdadeira tortura. Ainda mais se essa ação for obrigatória - quantas pessoas você conhece que aprenderam a odiar Machado de Assis por que foram obrigadas a ler "Dom Casmurro" para uma prova quando tinham 15 anos?
Resolvemos, então, perguntar para alguns intelectuais que tipo de literatura podemos apresentar aos adolescentes da Geração Y para que tomem gosto pelos bons e velhos livros de papel.
Algumas pessoas acreditam que o caminho para o prazer da leitura está nos títulos da moda. Nesse momento, os jovens que já adquiriram o gosto por ler transformaram em best-seller a série "Crepúsculo", de Stephanie Meyer: "Crepúsculo", "Lua Nova", "Eclipse" e "Amanhecer". O criador do projeto Sempre um Papo, Afonso Borges, aposta nas histórias do vampiro Edward para conquistar os adolescentes.
"Não adianta inventar a roda. Se o adolescente não tem o hábito da leitura, não adianta indicar um clássico fantástico, ou mesmo um moderno interessante. O importante é ler, ter a companhia do livro. E o modismo, nesses casos, é bom. Eu fui obrigado, na minha adolescência, a ler livros horrorosos, difíceis. Por prazer, o adolescente deve ler o que está na moda. Para depois conversar com os amigos, discutir na sala de aula, conversar na hora do lazer. Quem sabe, um dia, um dia ele escolhe um clássico, maravilhoso", opina Borges.
Depois que o jovem tomou gosto pela literatura de terror, seus pais ou professores podem apresentar para eles alguns dos grandes clássicos como "Frankenstein", de Mary Shelley, "Drácula", de Bram Stoker, ou "O Médico e o Monstro", de Robert Louis Stevenson. .
O jornalista e escritor Petrônio Souza Gonçalves aposta nesses clássicos. "Sugiro a eles as histórias que o tempo não levou, como 'Frankenstein', um clássico da literatura universal. O que mais marca a saga de Frankenstein é a ausência da paternidade, a solidão, o vazio. Tem algo de muito significativo aí, isso é atemporal, o que faz a história não ser desse ou daquele povo, desse ou daquele tempo, faz ser uma história universal", diz. Ainda na linha dos clássicos universais, ele sugere o eterno sucesso "O Pequeno Príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry.
O escritor e presidente da Academia Mineira de Letras, Murilo Badaró, aconselha pais a buscarem na literatura clássica os títulos que mais possam causar empatia com os jovens leitores. "Se fosse dar conselho a um jovem sobre quais os livros com que deveria começar recomendaria as histórias 'As Mil e uma Noites', os contos de Hans Christian Andersen e dos irmãos Grimm, passando pouco a pouco para José de Alencar, Manoel Antônio de Almeida e os brasileiros do século XIX, até chegar a Machado de Assis. Há várias alternativas que podem seduzir os jovens", afirma.




Quem também aposta em títulos da literatura clássica para chamar a atenção da Geração Y é a criadora do Fórum das Letras de Ouro Preto, Guiomar de Grammond. Especialmente para os meninos, ela sugere "Os Meninos da Rua Paulo", de Ferenc Molnár, "As Aventuras de Tom Sawyer" e "As Aventuras de Huckleberry Finn", de Mark Twain.

"São aventuras mais rurais do que urbanas, mas desenvolvidas com muita sensibilidade, com um olhar muito rico sobre o mundo, além de refletir um pouco os desejos de qualquer menino", conta. Para as meninas, ela sugere qualquer obra de Inês Stanisiere e Thalita Rebouças. "Seus livros falam de amigas, internet, questões entre mãe e filha. Os livros falam do universos das meninas de hoje", completa Guiomar. Ela aposta em outros autores que escrevem especificamente para o público infanto-juvenil: Pedro Bandeira, Leo Cunha e Sergio Klein, além do eterno clássico Monteiro Lobato.

"O Homem que Calculava", de Malba Tahan, é a sugestão do presidente da Fapemig, Mário Neto Borges. "É uma história muito interessante, que traz alguns problemas de matemática, apresentados de forma atraente. Acredito que, para o público adolescente, essa é uma mistura que funciona: um texto atraente, que desperta o gosto pela leitura, mas que ao mesmo tempo exercita a mente e propõe desafios", opina.

O poeta, professor e músico Francesco Napoli sugere apresentar aos jovens uma literatura que esteja de acordo com a inquietude natural da idade. "Acredito que adolescentes se interessam por questões de seu universo, como o sentimento de inadequação, de não pertencimento. Um livro que desperta esse sentimento e o desenvolve de forma profunda é 'O Mundo de Sofia' de Jostein Gaarder".

Mas se mesmo os clássicos não agradarem ao adolescente, porque o objeto livro ainda lhe é atraente, a opção pode ser apresentar-lhe histórias em quadrinhos. Além das tradicionais revistinhas da Turma da Mônica e dos personagens da Disney, hoje o mercado das HQs oferece um leque enorme de opções. "Hoje existem muitas versões em quadrinhos de clássicos da literatura, que pode ser um meio de colocar o jovem em contato com as nossas melhores histórias", afirma Maria Mazzarello, proprietária da Mazza Edições.

Outra boa forma de aproximar o jovem da literatura é apresentar-lhe crônicas de autores que flertam com o humor. Para o escritor Moacyr Scliar, nada como um bom texto de Luís Fernando Verissimo para agradar um jovem. "São textos curtos, atuais, interessantes, engraçados, redigidos numa linguagem acessível e ao mesmo tempo literária", justifica. A leitura de Verissimo pode aproximar o jovem não apenas do objeto livro, como também do jornal impresso, já que é cronista do HOJE EM DIA, com textos publicados às quintas, no caderno de Cultura, e aos domingos, no Plural.

A arte da poesia pode ser apresentada por meio dos textos do francês Arthur Rimbaud, segundo o poeta e editor Wilmar Silva. "Para não perder a rebeldia, sugiro 'Uma temporada no Inferno', de Rimbaud, porque trabalha com imaginários de ruptura, criando uma poesia em estado de vidência. Alquimista do verbo, ele é o poeta que escreveu com o corpo iluminado pelo espírito".

Já para quem aposta em uma literatura mais atual, porém menos conhecida, para agradar aos jovens, uma sugestão é ficar de olho nos lançamentos. "A Editora 7 Letras tem apresentados textos muitos sedutores assim como a Dubolso de Sebastião Nunes", sugere o poeta Aroldo Pereira, curador do Salão de Poesia Psiu Poético.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Tim Burton

Um dos assuntos do dia é o filme "Alice no País das Maravilhas". Conversando sobre o assunto com um amigo, falando sobre o quanto amo Tim Burton, ouvi uma questão dificílima de ser respondida: qual é o melhor filme de Burton?

Ainda não cheguei a uma conclusão. Gosto de todos, até mesmo de "Peixe grande" (foto), que talvez tenha sido o seu título que agradou menos aos cinéfilos. Suas animações são impressionantes, aliando tecnologia, beleza e qualidade no roteiro. Tanto "O Estranho Mundo de Jack" quanto "A Noiva Cadáver" enchem os olhos de adultos e crianças.

"A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça" nos deixa sem fôlego com uma história envolvente e um ar sombrio que só Burton sabe fazer. Para mim, um upgrade no também genial "Edward Mãos de tesoura".

"A Fantástica Fábrica de Chocolate", "Marte Ataca!", "Planeta dos Macacos"... Adoro! Adoro! Adoro!

Mas acho que, depois de pensar e pensar no melhor, acredito que consegui eleger um: "Ed Wood". Afinal, uma biografia do pior cineasta de todos os tempos só poderia ser feita por alguém tão visionário.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Tarantinooooooooooo!!!


Ontem assisti finalmente a "Bastardos Inglórios" e admito ter sentido uma catarse quase tão forte quanto a oferecida em "Dogville". Fico fascinada em ver como Tarantino consegue manter sua assinatura única e ser, ao mesmo tempo, tão inventivo. Sua apologia à violência, que revolucionou o cinema no início dos anos 1990, ainda rende um ótimo caldo. E que caldo! Quando você acha que a violência pop do diretor vai se esgotar... BANG! Lá vem ele com outra pérola!
Assim como os excelentes "Cães de Aluguel" e "Pulp Fiction", "Bastardos" possui uma história cheia de reviravoltas, cenas engraçadíssimas e um final bem inesperado. Talvez o final mais inesperado de todos os Tarantinos.
Recomendo, principalmente para os meus amigos historiadores, que ficarão extasiados com essa versão única da Segunda guerra Mundial.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Brasil premia a homofobia

Este ano, tomei a decisão de não assistir ao Big Brother Brasil, porque fico muito envolvida sempre que acompanho o programa e a partir de agora tenho que otmizar melhor o meu tempo livre - que começas às 20h, quando Catarina cai no sono. Mesmo assim, não pude deixar de acompanhar a décima edição à distância. Não torci por ninguém, apenas torci contra o lutador Marcelo Dourado, um homófico declaradíssimo. É, mas obviamente a minha torcida não muda nada em relação à condução do programa que há quaee uma decada é sucesso incontestável. O tal fortão machão ganhou R$1,5 milhão.
Não fico triste ao pensar que uma pessoa mais legal poderia ter levado essa bolada para casa. Fico arrasada ao ver que na edição em que Boninho colocou três gays assumidos e um rapaz que pode sair do armário a qualquer momento, as pessoas preferiram premiar um homem que afirmou desejar bater em uma mulher e que só gays pegam Aids.
Por meio de um programa de televisão, o Brasil se revelou homofóbico. O país mostrou que não quer ver transformistas, emos e lésbicas na telinha, mas fortões que não levam desaforo para casa. Fomos além das piadinhas de futebol - como as feitas com o Richarlysson e com a camisa rosa do Galo - e decidimos premiar com dinheiro a postura homofóbica. Nada contra as piadinhas, porque nada mais chato do que gente politicamente correta demais. Mas dar um prêmio milionário a um homem que não esconde o seu desdém em relação aos gays él algo que me entristece. E muito.