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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Rascunho

Esta semana, escrevi uma matéria sobre o livro "As Melhores Entrevistas do Rascunho", que traz melhores momentos de um jornal literário de Curitiba. A obra traz depoimentos de 15 escritores, como Bernardo Carvalho, João Ubaldo, Milton Hatoum, entre outros.

Fiz uma entrevista interessante, por email, com o editor do livro, Luís Pellanda. Como não usei tudo na matéria, achei que seria uma boa compartilhar a entrevista na internet. Espero que seja de bom proveito para alguém.


Quais foram os critérios usados para selecionar as melhores entrevistas do Rascunho?

Na verdade, não há muito segredo. Lancei mão de uma mistura nada complexa de critérios objetivos e subjetivos, tendendo um tanto mais, como acontece com as antologias literárias, para os da segunda categoria. É complicado fugir de certo gosto pessoal quando se faz qualquer seleção. No caso deste livro, em especial, os critérios objetivos foram relativamente poucos. Por querer traçar um panorama ligeiro da literatura nacional contemporânea dos últimos anos, eu precisava escolher entre as entrevistas realmente extensas publicadas no Rascunho, e entre entrevistados necessariamente brasileiros. De cara, portanto, já descartei gente como José Saramago, Jonathan Coe, Mia Couto e Enrique Vila-Matas. Mas isso não facilitou muito as coisas. Dentre as centenas de entrevistas restantes, eu ainda tinha que eleger as tais “melhores”, entre os autores mais “influentes” de seu tempo. E aí a subjetividade. Pedreira pura. Quem e o que define o que é melhor e mais relevante, afinal? Bem, existe um senso comum, é claro, mas ele não é exato. Às vezes nem chega a ser justo. Assim, tentei não me pautar pelo meu gosto apenas no que se refere à obra ficcional dos 15 autores escolhidos para este volume inaugural do livro, embora efetivamente eu goste do trabalho de muitos deles. Busquei dar preferência às entrevistas — e não aos autores — que dissessem mais sobre os entrevistados, sua escrita, seu país e sua época. Isso nos daria não apenas uma ótima visão geral da produção brasileira da primeira década do século 21, mas também acabaria por nos fornecer um traçado do que foram esses dez primeiros anos de atividade do Rascunho.

Quais são os principais destaques desse primeiro volume?

Acho que o destaque do livro é realmente o trabalho coletivo que ele evidencia. Estamos falando de um jornal literário comercialmente independente que, sem ganhar dinheiro algum, sobreviveu durante dez anos num país onde quase ninguém lê ficção. Não é exagero. E o feito não é pequeno, como talvez possa parecer aos que engrossam a maioria não-leitora. A sobrevivência de um veículo tão improvável e deficitário não se deve, logicamente, apenas à insistência do seu editor Rogério Pereira — que fundou o Rascunho em abril de 2000, em Curitiba, auxiliado por uns poucos amigos leitores —, mas ao trabalho gratuito de muitas centenas de colaboradores que, durante uma década, vêm escrevendo para o jornal sem receber um tostão por isso. Romanticamente, podemos dizer que, se você abre mão do dinheiro, você está livre. Não é bem assim, todos sabemos disso, mas, às vezes, uma ou outra coisa bacana acaba dando certo no Brasil, por mais inviável que pareça. O Rascunho é uma delas.

Qual sua opinião sobre a literatura brasileira produzida no século 21? E sobre o mercado editorial?

Essa pergunta é bastante difícil de responder em poucas linhas, mas, como leitor frequente, tentarei resumir o que penso da literatura brasileira de hoje. Atualmente, ainda bem, ela se caracteriza por uma vasta diversidade de intenções. Há olhares de todo tipo e de diversas intensidades, sobre temas variados. Há escritores bons e escritores ruins, há os profundos e os mais rasos, como em qualquer grande conjunto literário nacional. Mas o melhor de tudo é que não há, em nossa literatura atual, uma tendência unificadora forte. Há de tudo. E, dessa variedade, dessa bagunça, o tempo saberá peneirar o que for melhor. Ou talvez não, e quem sabe isso nem nos interesse? Como mortais que somos, presos ao pequeno intervalo de vida que nos cabe vencer, nossa participação nisso tudo é ler o que quisermos, contemporâneo ou não, enquanto houver tempo para isso. Que cada leitor faça o seu juízo a respeito do que lê, e que cada autor construa a sua obra. Já o mercado editorial brasileiro, se analisarmos a questão sob esse aspecto quantitativo, deve viver um ótimo momento. A quantidade de leitores em potencial vem crescendo, é o que me parece, e o interesse pela literatura, ou pelo menos por seu entorno, também. O que mais explicaria o aumento do número de feiras e eventos literários Brasil afora que se vem registrando ultimamente? O próprio lançamento do livro do Rascunho é prova disso. Temos leitores. Por outro lado, não me parece muito saudável o tipo de discussão que, entre os editores, tem se tornado comum por aí. Me refiro às brigas públicas que temos acompanhado, envolvendo premiações a este ou aquele autor, e também à pressão mercadológica cada vez mais corriqueira sobre os autores estreantes, para que escrevam somente romances — abrindo mão da poesia, do conto e da crônica por estes serem, digamos, menos “vendáveis”. Uma maluquice completa. É como se o mercado editorial brasileiro tivesse visto dinheiro pela primeira vez depois de muitos anos e — equivocadamente — quisesse aproveitar o momento miraculoso para ganhar um pouquinho mais. Isso pode ser apenas um doloroso tiro no pé. Afinal, nunca é demais lembrar da carta de recusa a Moby Dick, enviada a Melville em 1851, por uma editora: “Não achamos que possa funcionar no mercado de literatura para jovens. É longo e de estilo antiquado”.

Na orelha do livro, há uma fala sua indicando que o Rascunho só existe graças à paixão e colaboração gratuita. Quais são as principais dificuldades em se fazer um periódico dedicado à literatura? O precisaria ser feito para que os problemas fossem solucionados?

As dificuldades, não é surpresa, estão ligadas à falta de grana que envolve todo o projeto do Rascunho, desde o seu início. Falta de anunciantes interessados pelo público da literatura (isso inclui livrarias e editoras), escassez de mecenas milagrosos (seja na área pública ou na iniciativa privada), problemas relacionados à distribuição do jornal e à impossibilidade de se pagar colaboradores e “profissionalizar” a coisa de uma vez por todas. Por outro lado, essas complicações acabam por dar força e liberdade ao jornal. Como disse mais acima, não há independência maior que prescindir de dinheiro para sobreviver. Na pindaíba, também se aprende a ser duro e, quando o dinheiro surge, a situação tende a melhorar. É só manter o prumo. Agora, como mudar esse cenário? Não sei dizer. Se olharmos de longe, buscando uma visão panorâmica do problema, veremos um quadro de catástrofe. É um problema gravíssimo de educação e formação cultural. O brasileiro lê pouco, sim. Está lendo um pouquinho mais, mas ainda estamos longe de qualquer situação minimamente decente. O caminho que temos pela frente é longo e, a cada um, escritores, jornalistas, professores etc., cabe cumprir a sua parte. É possível que alguém, irritado com essa obviedade, me pergunte: mas de quem é a culpa, ora, é nossa? Não. Minha não é. A culpa é de gerações e gerações de políticos canalhas que vêm se perpetuando no poder desde que o Brasil é Brasil. Não estou generalizando, não. Se houver exceções, que se manifestem trabalhando contra a ignorância. Não estarão fazendo mais que a sua obrigação.

Quais serão as entrevistas do próximo volume?

Ainda não posso dizer, Cinthya, lamento. Estou trabalhando com 25 autores. Preciso cortar dez. Um trabalho sofrido e delicado. Vamos ver no que dá.

sábado, 8 de janeiro de 2011

ÉPOCA DE VIRADA

Segue reportagem publicada no último dia de 2010, em que discuto as intensas transformações na indústria musical na década que se encerrou semana passada.


ÉPOCA DE VIRADA


Hoje, dia 31 de dezembro de 2010, fecha-se uma década marcada por intensas transformações de paradigmas na indústria da música. Enquanto há dez anos o Metallica entrava na justiça para tentar impedir o Napster (pioneiro site de compartilhamento de dados), hoje a grande maioria dos músicos espalhados pelo mundo se beneficia de tudo que a internet pode oferecer a quem quer divulgar sua arte.

MySpace, Youtube, Last FM, iMúsica, PalcoMP3 e Torrentz são alguns sites criados ao longo dos anos 2000 que permitiram que qualquer pessoa tenha acesso a todo tipo de música – tanto de forma legal quanto ilegal. Aparelhos portáteis que tocam Cds se tornaram arcaicos. Hoje é possível ouvir centenas de faixas dos artistas preferidos pelo celular ou carregar discografias completas em iPods.

A venda física de Cds declinou vertiginosamente. Um exemplo: a banda Jota Quest, uma das mais populares do país há mais de 15 anos e um dos principais nomes da gigante Sony Music, viu seu “De Volta ao Planeta” (1998) ter uma tiragem de 1, 5 milhão de cópias. Já o seu último álbum, “La Plata” (2008) vendeu 150 mil exemplares – número muito bom para a atualidade. O fato se repetiu com todos artistas famosos, de Marisa Monte a Zezé di Camargo & Luciano.

Só a pirataria não justifica tal queda. A popularização do acesso ao computador foi uma grande responsável pelo fenômeno, já que um único disco pode ser reproduzido em incontáveis computadores (um adolescente pode muito bem gravar cópias para seus amigos por meio de Cds virgens comprados por menos de R$ 1). Além disso, há os diversos sites de compartilhamento na rede. Com a grande oferta de banda larga, a discografia de um artista de vida longa (como os Rolling Stones, por exemplo) pode ser baixada em poucas horas.

Ter gravadora deixou de ser o grande sonho de boa parte dos artistas brasileiros. São inúmeros os casos de famosos da MPB que passaram a trabalhar de forma independente – Elba Ramalho, Alceu Valença e Zeca Baleiro são alguns exemplos – e outros tantos que conquistaram o sucesso nacional de forma independente. graças à divulgação pela rede – como Mombojó, Móveis Coloniais de Acaju e Autoramas.

Há mais de 45 anos atuando na indústria musical, Pena Schmidt (hoje diretor do Auditório Ibirapuera, em São Paulo) enxerga com muitos bons olhos as mudanças de paradigmas dos últimos anos. “Tivemos um século inteiro de música gravada em suportes físicos, como vinis e Cds, e agora temos algo totalmente diferente. Antes a sociedade se relacionava com a música tendo a indústria fonográfica como intermediadora. Eram as gravadoras que escolhiam o que íamos ouvir”, afirma.

Segundo ele, o filtro continua a existir, mas atualmente de outra forma. “Hoje são os festivais de rock, as casas noturnas, os auditórios de shows que fazem as escolhas. Aumentou consideravelmente o leque de ofertas”.

Os festivais de música ganharam novo sentido no século XXI. Bastante cultuados nos anos 1960 e decadentes nas décadas seguintes, nos anos 2000 os festivais passaram a ser fundamentais para a circulação de artistas independentes. Claro que há muitos festivais do mainstream ainda no país – caso do Rock in Rio, que volta com força total no ano que vem – , mas aqueles que oferecem novidades estéticas são os do cenário indie – como o Jambolada, em Uberlândia, o Coquetel Molotov, em Recife, e o Goiânia Noise, em Goiás.

“Cada festival tem um compromisso com a cena local, permitindo ser uma vitrine para os artistas da cidade. As rádios não são mais as referências para quem busca novidades, mas sim nos festivais. São nesses eventos que os músicos ganham destaque. Lucas Santtana, por exemplo, antes de ficar famoso em todo o país, viajou por vários festivais brasileiros”, conta Talles Lopes, organizador do Jambolada e presidente da Associação Brasileira de Festivais Independentes a partir de 2011.

O respeitado produtor musical Béco Dranoff (responsável pelo sucesso internacional de Bebel Gilberto, Bossacucanova, entre outros) acredita que a gratuidade da música via internet tem sido muito importante para a ampliação e divulgação da produção musical brasileira. “Isso é fundamental para um país continental, em que circular é tão difícil”, diz.

Segundo Dranoff, as grandes empresas da indústria musical foram as primeiras a sofrer com as transformações impostas pela popularização da internet, mas também foram as que tiveram de dar os primeiros passos na adaptação à nova realidade. “As gravadoras entenderam que não dá para mudar a situação e tiveram que aderir. As produtoras compreenderam que pela internet é possível gerar negócios. A música deixou de ser um objeto para ser arte a ser admirada em qualquer suporte”.

O impacto maior foi para os artistas, de acordo com Dranoff. “Nunca houve tanta música sendo feita no mundo. A destruição do modelo antigo permitiu uma grande abertura. Mas ainda estamos no meio de um processo. No exterior, o trabalho está mais adiantado. Ao ponto de uma banda como Radiohead permitir que o próprio público desse o preço pelo disco”, conta o produtor, acreditando que, na década que se inaugura a partir de amanhã, os brasileiros vão aprender a dar maior valor ao download pago.


As gravadoras também tiveram que se adequar às transformações. De acordo com Fábio Silveira, gerente de negócios da Deckdisc, as empresas tiveram que diversificar os serviços prestados aos músico. Além da realização e distribuição de discos, agora deve-se cuidar da agenda de shows, do marketing, dos direitos autorais, da disponibilização de dados pela internet. “A Deckdisc é hoje, ao mesmo tempo, gravadora, editora e responsável pelo agenciamento”, conta.

A Deckdisc também tem provado ao mercado, no final desta década, que mesmo com o crescimento da música virtual, ainda há muitas pessoas interessadas no suporte físico. O vinil, que parecia fadado a morrer no Brasil, tomou novo fôlego em 2010 com a reabertura da Polysom em Belford Roxo. O retorno da produção de LPs foi uma aposta de João Augusto, dono da Deck e da Polysom. Um investimento que parece estar dando resultado. “O vinil de 'Chiaroscuro', da Pitty, já está na segunda prensagem e temos recebido muitos pedidos de todos os discos lançados. Só não fazemos mais mais porque os impostos são muitos altos. Enquanto os Cds são fabricados na Zona Franca de Manaus (região livre de vários impostos), os vinis são feitos no Rio de Janeiro. Cerca de 60% do valor final do LP é referente a impostos”, explica Fábio Oliveira.


Hoje em Dia

Esta semana completei um ano como repórter do Hoje em Dia. Comemoro muito isso. Em 2010, tive muitas realizações profissionais, especialmente no início de junho, quando passei a integrar a equipe de Cultura. Trabalho onde eu quero, com adoráveis colegas, fazendo o que eu mais amo: escrever sobre cultura.
Infelizmente, não tenho tempo para acompanhar de perto a produção cultural da cidade - afinal, quando não estou trabalhando, estou cuidando da minha filha linda. Mesmo assim, tenho feito o possível para encontrar novidades musicais, passeando por sites como Trama Virtual e MySpace. Espero que, com a coluninha de música independente de sexta-feira, eu esteja contribuindo para o jornalismo cultural de Belo Horizonte.
Que em 2011 eu faça reportagens bacanas, ajude a revelar alguns talentos e deixe algumas pulgas coçarem algumas orelhas por aí.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Presidenta

Dilma não era o meu nome preferido dentro do PT. Mas pouco importa se havia pessoas mais carismáticas e experientes em eleições dentro do partido. Agora, a única coisa que realmente importa, é que elegemos a primeira mulher presidente do Brasil. O significado disso é inexplicável.
A única coisa que desejo é que ela saiba dar conitnuidade ao governo que Lula fez, permitindo que esse antigo operário se tornasse o maior estadista desse país (sim, para mim ele está acima de Getúlio Vargas, que era ditador, e de Juscelino, que nos jogou numa dívida externa com reflexos intermináveis).
Quero mais é que as pessoas deixem de passar fome, nem que para isso seja necessário lançar máo de obras assistencialistas. Nosso presidente passou por isso e sabe muito bem: quem tem fome tem pressa. Quero que as universidades públicas sejam respeitadas em sua máxima excelência, produzindo tecnologia para que possamos concorrer de igual para igual com Índia e China. Quero que todos tenham acesso à educação e saúde de qualidade (isso é bem mais complicado). E principalmente, quero que Brasil seja soberano e se imponha como uma nação de grande relevância, algo que FHC não soube fazer. Na verdade, o ex-governante tucano preferia mostrar sua eloquência em outras línguas em vez de colocar o português como seu maior trunfo.
Seja bem vinda, Dilma. Que Deus lhe dê sabedoria para governar e consolidar a social-democracia. Que o faça bem e que o liberal tucano Aécio Neves não tenha tantas chances daqui a quatro anos.

domingo, 25 de julho de 2010

Famosos que adoro - Parte 1

Não faço o tipo tiete de ninguém, mas gostaria de manifestar minha afeição por algumas pessoas que fazem o mundo da mídia ser bem mais interessante do que as futilidades tão exaltadas:

Bruno Mazzeo
Nunca gostei muito de Chico Anysio, na verdade, até tinha muito medo dele quando era criança. Mas quando o assunto é o seu filho Bruno... Adoro aquele humor mal-humorado que transformou "Cilada" em um dos melhores programas da Tv brasileira. Trata-se de uma pessoa crítica, que sabe enxergar profundidade no que a sociedade sustenta com superficialidade.

Luis Nassif
O único jornalista independente brasileiro que sabe questionar com ética e elegância. Seu site é um dos espaços mais democráticos e substanciais da internet no Brasil.

Gisele Bünchen
Até hoje, só vi um erro nesta mulher: desfilar para uma marca de casacos de pele. Tirando isso, é uma pessoa simpática, inteligente e espontânea. Sua entrevista recente no "Fantástico", dizendo que tinha tido o parto em casa e que não ia contratar babá nos primeiros meses de vida de seu Benjamim, foi inspiradora. Enquanto há mulheres no Brasil que estão dispostas a enfrentar estrada para fazer cesária de forma mais barata, a mulher mais linda do país fez questão de ter seu filho da maneira mais natural possível.

Marília Gabriela
Melhor entrevistadora desse país, envolvente, e já fez muito sexo com o homem mais bonito desse país. Quero ser Gabi quando crescer.

Fernanda Montenegro
Ela tem 80 anos e está muuuuuuuito melhor do que qualquer colega com a mesma idade. Com um detalhe: enquanto as outras fazem várias plásticas, ela envelheceu com elegância, aceitando cada ruga que o tempo lhe deu. E continua a ser a maior atriz do país.

Gilberto Gil
Mesmo com tantos anos de carreira, continua compondo e se reinventando. É um grande artista no placo e foi um grande ministro. É a pessoa mais simpática, generosa e acessível que já entrevistei - e olha que ele era ministro na época. E além de tudo, está à frente de todos seus colegas, querendo dispor suas músicas na internet, visando a democratização do acesso à cultura por meio da internet. Gil é o cara.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Direitos autorais: Minc x músicos

Você tem um Ipod? Sabia que está cometendo um crime ao ouvir suas músicas favoritas que gravou nesse aparelhinho? Sabia também que, quando aquele DJ utiliza trechos de músicas, deve pagar direitos autorais sobre todas? Acredita que, até hoje, a prática do jabá é constante pelo Brasil afora e que no Nordeste é comum ver gravadoras pagando para que as rádios não toquem canções dos artistas concorrentes? Já contaram que tirar xerox daquele livro cuja edição está esgotada ou assistir a filme em sala de aula são ações ainda proibidas?


Há um abismo entre as práticas sociais da atualidade e o que está determinado na Lei dos Direitos Autorais. A tecnologia traz novidades e, hoje, a troca de músicas, textos, imagens e vídeos por meio da Internet faz com que as regras referentes aos direitos dos criadores sejam questionadas por muitos intelectuais.


Para tentar adequar as necessidades dos autores às dos usuários, vislumbrando uma realidade de intensa troca de arquivos eletrônicos, o Ministério da Cultura (Minc) lançou, mês passado, consulta pública sobre o anteprojeto que altera a Lei dos Direitos Autorais (nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998).


Entre as propostas estão a criminalização do Jabá, a permissão para cópias de bens comprados legalmente para uso pessoal (como uma cópia do CD para MP3) e a criação de mecanismos para que obras possam ser copiadas para conservação (digitalização de músicas e filmes, por exemplo).


A principal diferença é que a nova legislação prevê espaço para uso amigável e também maior flexibilidade aos autores à discussão de prazos e condições de cessão.


Mas as ideias do Minc não estão sendo bem recebidas por boa parte da classe musical. Dois pontos geram grande polêmica: a criação do Instituto Brasileiro de Direito Autoral, com a finalidade de regular e supervisionar as entidades de arrecadação de direitos, e a retirada do “poder absoluto” do autor sobre sua própria obra – mesmo que o autor não aprove a reprodução de uma música sua, o Ministério da Cultura pode permiti-la, em nome do “acesso à cultura”.


Fernando Brant, presidente da União Brasileira de Compositores (UBC), é categórico ao afirmar que o Minc não pode alterar a estrutura de uma lei votada em plenário, depois de dez anos de reivindicação da classe artística.


“Essa é uma tentativa de intervenção do Estado em um direito privado que é a propriedade intelectual. Poderia haver uma modernização da lei, mas o que eles querem é mudar toda a estrutura”, afirma o compositor mineiro.


Para ele, a fiscalização sobre o Ecad já é feita pelos ministérios da Fazenda e do Trabalho – por ser uma entidade privada – e quem deve observar a arrecadação e a distribuição dos valores referentes aos direitos autorais são os artistas.


Várias associações de músicos e o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) promoveram uma grande manifestação no mês passado, na Sala Baden Powell, no Rio de Janeiro. Entre os artistas presentes estavam Sandra de Sá, Rick (da dupla Rick e Renner), Danilo Caymmi, Fernando Brant, Nei Lopes, Walter Franco e Selma Reis.


A cantora Joelma, sucesso com “Pombinha Branca” há duas décadas, estava entre os indignados. “Nós levamos dez anos para discutir o que desejávamos e já utilizamos a lei há 11 anos. Querem tirar da mão do autor a propriedade”, protesta. “Eu quero ter o direito de dizer ‘não vai tocar’ ou ‘não vai gravar’ a minha música. O que o Ministério pretende é inconstitucional” – afirma a cantora, completando que juristas também estão contra às propostas do Minc.


Durante a manifestação, Joelma cantou a canção que, diz ela, é o hino da luta contra a mudança na lei: “Tira a mão do meu direito/ quem anda direito sou eu/ tira a mão do meu dinheiro/ quem manda nele sou eu”.


Pedro Luís, líder das bandas Monobloco e Pedro Luís e A Parede, também não concorda com a proposta de criação de órgão federal para fiscalizar o caminho do dinheiro dos direitos autorais.


“As associações de músicos têm conseguido se organizar cada vez melhor, evoluíram muito nos últimos anos. Claro que têm que melhorar a arrecadação, mas já é muito melhor do que há 20 anos, quando comecei. Para que aumentar a burocratização se já existe um sistema que funciona?”, opina o músico.


Muitos artistas reclamam que o Minc não os consultou para que o anteprojeto fosse desenvolvido. Mas todos podem dar sua opinião na consulta pública disponibilizada no site do Ministério.


De quem é o som nosso de cada dia?


De acordo com Renato Dolabella, professor universitário e advogado especialista em Propriedade Intelectual, o que está em discussão, com a proposta de nova lei dos direitos autorais, não é a existência de uma entidade de arrecadação de direitos autorais, como o Ecad, nem a necessidade de se pagar os direitos devidos aos criadores. Para ele, o que Estado e sociedade civil devem levar em conta é a busca do equilíbrio entre interesses dos autores e dos usuários da arte.


“A consulta pública é muito positiva, pois a legislação merece uma revisão. Há uma série de questões que merecem uma discussão mais profunda e crítica”, registra o advogado, que acredita na importância de se rever o trabalho do Ecad.


De acordo com Dolabella, o Ecad está sendo investigado pela Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça por formação de cartel. “O Ecad é formado por várias associações e todas estipularam o mesmo valor pelas músicas. Isso atrapalha a concorrência no mercado fonográfico. Cada associação poderia ter um preço, e uma rádio, por exemplo, escolheria tocar as músicas daquela que oferece os melhores valores”, explica o especialista.


“Ninguém questiona a existência do Ecad, mas sim a forma com que seu trabalho é exercido, se sua atuação é abusiva ou não”, completa.


Para Fernando Brant, direitos do consumidor não podem ser colocados no mesmo baú dos direitos autorais. “Quando minha música é tocada numa rádio ou numa televisão, não há uma relação entre mim e o consumidor. A relação é entre ele e a emissora. Quem estipula o preço somos nós músicos. Quem não concorda em pagar os direitos não pode tocá-la”.


O compositor mineiro Celso Adolfo espera que essa conversa não caminhe para o fim das entidades de arrecadação. “Já vi muitos políticos desejando o fim do Ecad. Como eles são donos de emissoras de rádio e TV, querem que o direito autoral acabe para terem maior lucro. Mas se eles podem ganhar dinheiro com a música em seus programas, por que nós artistas também não podemos?”, questiona.


Vander Lee afirma que o problema não é a legislação, mas a arrecadação. “A minha carreira só cresce e os meus rendimentos caem porque não há arrecadação na internet. Quem deve pagar pelos direitos autorais são os donos dos portais, que ganham dinheiro com publicidade em páginas que disponibilizam nossas músicas gratuitamente. Temos que encontrar uma maneira de tributar a distribuição de músicas na internet”, afirma Vander Lee.


Vitor Santana vê pontos positivos nas propostas do Minc. De acordo com o músico, a tecnologia trouxe mudanças nos paradigmas da indústria fonográfica e a legislação deve estar de acordo com as novidades oferecidas pelos meios eletrônicos.


“Fui convencido de que deve haver uma supervisão do trabalho do Ecad, até porque isso existe em boa parte dos países europeus e da América Latina. Também achei ótimo ter a criminalização do jabá”. Entre os 20 maiores mercados de música no mundo, o Brasil é o único que não possui estruturas administrativas estatais para supervisionar esse tipo de arrecadação.


Mas o cantor e compositor acredita que se deve respeitar o pagamento devido aos autores, principalmente porque muitos compositores vivem apenas de seus direitos autorais, pois não fazem shows. “Meus parceiros Fernando Brant e Murilo Antunes não podem ser prejudicados depois de terem sido pessoas importantes para a construção do patrimônio cultural brasileiro”, registra Santana.


Outros artistas têm defendido a iniciativa do Minc. Tim Rescala, Roberto Frejat e Luiz Caldas são alguns nomes que já se pronunciaram, publicamente, pela criação de um órgão que possa fiscalizar a atuação do Ecad.


Em artigo publicado no jornal “O Globo”, o antropólogo e criador do site Overmundo, Hermano Vianna, é um dos defensores das mudanças previstas no anteprojeto.


“Ter um carro é diferente de ter um livro. Se alguém rouba meu carro, fico sem o carro. Mas, se alguém me rouba um livro já lido, fico sem o objeto de papel; porém, seu conteúdo continuará presente em minha memória, já misturado às minhas próprias ideias, gerando novas ideias impulsionadas pela leitura. O conteúdo do livro passa a ser propriedade coletiva depois de determinado tempo, podendo ser usado por todos, em nome do bem comum”, escreve Vianna.


Por nota, o Ecad afirma que só vai se pronunciar após analisar na íntegra o anteprojeto.


A entidade diz ainda que seu trabalho é auditado anualmente por empresas independentes de renome no mercado e pela Receita Federal.

domingo, 20 de junho de 2010

Não sou nenhuma especialista em literatura e essa nem é a área que cubro atualmente no caderno de Cultura do Hoje em Dia. Mas calhou de eu escrever sobre a morte do meu escritor favorito por uma brincadeira do destino. Dois dias antes da morte de Saramago, eu havia recebido por email a entrevista com seu biógrafo.
Muito difícil escrever sobre um escritor muito genial. Qualquer coisa que se diga sobre ele é muito pequeno. Mesmo assim, escrevi sobre duas matérias sobre Saramago e a primeira parte publico logo abaixo.


Morre, aos 87 anos, o escritor português José Saramago

José Saramago se despede como comunista convicto e o único Nobel da literatura em língua portuguesa. Confira infografia com as principais obras do escritor


O mundo não perdeu nesta sexta-feira (18) apenas um dos maiores sucessos editoriais das últimas décadas e único escritor de língua portuguesa laureado com o Prêmio Nobel de Literatura. A morte de José Saramago significa muito mais que o fim da produção de belas e polêmicas obras: simboliza também a despedida de uma geração que acreditava em presenciar um mundo mais igualitário. Comunista e humanista, o escritor português soube, como pouquíssimos, questionar em seus livros as instituições, o individualismo, o materialismo e a pequenez dos homens.

José Saramago morreu aos 87 anos, enquanto tomava café da manhã com a mulher, Pilar del Rio, na sua casa em Lanzarote (Ilhas Canárias). Ele foi hospitalizado diversas vezes nos últimos anos, principalmente por conta de problemas respiratórios.

Saramago nasceu na aldeia ribatejana de Azinhaga, no dia 16 de novembro de 1922. Seus pais foram para Lisboa antes dos três anos de idade do escritor. Ele fez estudos secundários que não concluiu por consequência de dificuldades econômicas.

Em 1972 e 1973, ele fez parte da redação do Jornal “Diário de Lisboa”, onde foi comentarista político, tendo também coordenado, durante alguns meses, o suplemento cultural da publicação. Entre abril e novembro de 1975, foi diretor-adjunto do “Diário de Notícias”. Desde 1976, vivia exclusivamente do seu trabalho literário.

Embora seu primeiro romance, “Terra do Pecado” tenha sido lançado em 1947, Saramago ganhou notoriedade em 1980, com “Levantando do Chão” – que viria a inaugurar o chamado “estilo saramaguiano”: a narrativa fluida, próxima da oralidade, que desobedece as normas formais da linguagem.

Ele criaria depois grandes sucessos editoriais como “Memorial do Convento”, “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, “A Caverna” e “Ensaio sobre a Lucidez”, “A Viagem do Elefante”, entre outros.

Best-seller absoluto, “Ensaio sobre a Cegueira” recebeu adaptação cinematográfica em 2008, dirigida por Fernando Meireles e protagonizada por Julianne Moore.
Em 1995, José Saramago ganhou o Prêmio Camões e, em 1998, recebeu o Prêmio Nobel da Literatura – feito que, até o momento, nenhum outro escritor de língua portuguesa alcançou.

A polêmica foi uma constante em sua carreira, especialmente em 1992, quando o secretário de Cultura português vetou a indicação de “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” para Prêmio Literário Europeu. Na obra, o autor aproximava o protagonista da mortalidade, dando voz a um personagem que nasceu do amor entre Maria e José, casou-se com Maria Madalena e questionou a necessidade da crucificação. O ateu Saramago voltou a polemizar ao fazer uma nova releitura da Bíblia em seu último romance, “Caim”, publicado no ano passado.

O ateísmo de Saramago não era evidente apenas em suas obras, mas também uma constante nas inúmeras entrevistas que concedeu ao longo da carreira. Proferida aos quatro ventos, “O cérebro humano é um grande criador de absurdos e Deus é o maior deles” foi uma das frases mais marcantes ditas pelo escritor. Além da crença em uma força divina, a Igreja Católica era seu alvo rotineiro.

Em 2005, ele esteve em Belo Horizonte para lançar o romance “Intermitências da Morte” (livro que mostra o que aconteceria em uma cidade onde as pessoas deixassem de morrer). Saramago afirmou ao HOJE EM DIA que não sentia qualquer medo de perder a vida. “Quando tinha 16, 17 anos, e penso que isso deve acontecer com todos os homens, surgem aqueles momentos em que deixamos de ser crianças e a ideia da morte se apresenta com muita crueza. Hoje, com minha idade avançada, não vivo com a obsessão da morte”, relatou o escritor em entrevista ao repórter Alécio Cunha.

Nesta mesma entrevista, exibindo grande humildade, Saramago disse que todos os homens são filósofos e que não é preciso ter uma avançada instrução para se refletir sobre as questões mais profundas da humanidade. “Qualquer pessoa chegará, um certo dia, a pensar nas coisas sérias deste mundo, incluindo a morte. Isso já é uma atitude filosófica. Não me proponho a nenhuma reflexão profunda. Sou um ser humano qualquer, só que com um pouco mais de informação”.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Verba emperrada em Minas

Segue a reportagem "Verba emperrada", feita por mim e Bruno Moreno, que saiu hoje no Hoje em Dia. Sem rabo preso com o governo!


Dois dos principais programas culturais planejados para serem executados em Minas Gerais neste ano estão travados pela Secretaria de Estado da Cultura. Cem Pontos de Cultura continuam no papel e o Música Minas foi interrompido. O motivo: a resolução 23.089 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que impede a transferência de recursos públicos para entidades privadas em 2010, por ser um ano eleitoral.


A implementação dos cem Pontos de Cultura, que deveria ter sido realizada em 2009, demanda R$ 18,1 millhões, sendo R$ 12,1 milhões do Ministério da Cultura e R$ 6 milhões como contrapartida do Governo do Estado. O Música Minas receberia recursos estaduais que somam R$ 1,55 milhão.


Os Pontos de Cultura fazem parte do Programa Mais Cultura, do Ministério da Cultura (Minc), em parceria com os Governos Estaduais de todo país. Enquanto em Minas há um entrave para a implementação do programa, em todos os Estados da Federação, com exceção de Paraná e Rio Grande do Sul, os pontos estão em pleno funcionamento. Os projetos foram aprovados em julho de 2009, mas até agora não foram assinados. O argumento da Secretaria Estadual de Cultura é que a legislação eleitoral (lei 9.784/99) não permite. A decisão está baseada na Nota Jurídica número 2.264, de 14 de abril de 2010, em que a Advocacia-Geral do Estado (AGE) determinou que em todo o ano de 2010 não seja celebrado nenhum convênio entre órgão da administração pública estadual e entidades privadas sem fins lucrativos, prevendo o repasse de bens, valores e serviços para reverter para à população.


Entretanto, 20 dias depois, dia 4 de maio, o consultor jurídico do Minc Cláudio Péret Dias emitiu despacho (processo 01400.007052/2010-47) afirmando categoricamente que a legislação eleitoral não se aplica a “convênio, assumindo obrigações e, eventualmente, prestando contrapartida financeira ou em bens e serviços economicamente mensuráveis, tal como ocorre no Programa Mais Cultura/Pontos de Cultura”. Inclusive, secretários do Minc já vieram a Belo Horizonte negociar com o Governo de Minas o repasse dos recursos para os Pontos de Cultura do Estado.


O secretário de Estado de Cultura, Washington Mello, afirmou que está buscando soluções jurídicas para o impasse com colegas de outras localidades. “Em vários Estados foram assinados os convênios em 2009 e a liberação vem sendo feita ao longo de 2010. O Governo de Minas, por orientação da AGE, está consultando outros Estados, inclusive Bahia e Acre, sugeridos pelo MinC, para saber se firmaram convênio em 2010 para Pontos de Cultura e qual foi o argumento jurídico que resguardou as atitudes das Secretarias de Estado”, explicou.


Segundo ele, a AGE só permitiria o repasse de verbas se os pontos fossem programas sociais autorizados em lei e em execução orçamentária desde 2009 ou se fossem oriundos de convênios com contrapartida financeira ou de bens e serviços – o que não é o caso.


Mas a pergunta que fica para os realizadores culturais que conseguiram aprovar os Pontos de Cultura no difícil processo seletivo, é por que os convênios não foram assinados no ano passado, quando não havia restrição em relação à legislação eleitoral? O Minc recomenda aos conveniados que as assinaturas sejam feitas logo após o processo seletivo, ou seja, isso poderia ter sido feito há 11 meses, quando o comando da Secretaria de Cultura de Estado era de Paulo Brant. Procurado pela reportagem, o ex-secretário não retornou às ligações até o meio da tarde de quarta-feira (26).


De acordo com o atual secretário de Estado de Cultura, Washington Mello, os convênios poderiam realmente ter sido assinados em 2009, mas não houve entendimento entre a secretaria e os proponentes, até o final do ano passado, em relação à documentação exigida. Os projetos não estariam de acordo com as normas exigidas e isso teria atrasado a implementação dos Pontos de Cultura.


Mas como a Resolução 23.089 do TSE foi publicada em 1° de julho de 2009, a Secretaria de Estado de Cultura já sabia do impedimento legal e teve um semestre para avaliar e resolver os problemas da documentação dos proponentes, para que a implementação dos Pontos de Cultura pudesse ser oficializada antes de 1º de janeiro de 2010. Somente em 25 de março deste ano que a procuradora do Estado Juliana Schidt Fagundes comunicou à Consultoria Jurídica da AGE do problema do repasse de verbas.


De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura, a não assinatura dos convênios não invalida o processo de seleção, mas inviabiliza o cronograma inicial, além de prejudicar o atendimento nas comunidades em que os pontos estão inseridos. Os recursos bloqueados pela AGE devem ficar aplicados, e os rendimentos deverão ser usados no objeto do convênio após solicitação formal ao Minc ou deverão ser devolvidos para a União após o encerramento do convênio.


Dentre os cem projetos dos Pontos de Cultura aprovados em Minas Gerais, um deles é o “Favela é isso aí”, que atua com produção de comunicação e informação com jovens de aglomerado de toda a capital. Para a produtora Clarice Libânio, é possível que tenha havido no ano passado uma ingerência para que os convênios pudessem ser assinados. Entretanto, em 2010, ela acredita que a Secretaria está agindo de forma política.


O projeto “Favela é isso aí” consiste na transformação da sede da entidade, no Bairro da Serra, em um Centro de Referência da Cultura Popular Urbana e toda a produção será aberta à toda a comunidade. “A justificativa do projeto é o aces[TEXTO]so público à informação. Nós produzimos muita informação, mas publicamos pouco na internet. Não chega a um décimo do que poderíamos”, afirmou Libânio.


O Querubins, ONG que atende 200 crianças da comunidade Acaba Mundo, no Sion, é um dos cem Pontos de Cultura prejudicados. Lá, há projetos para oficinas de vídeo, mas não há infraestrutura para a realização, já que os recursos não foram repassados. “Tenho um déficit de R$ 10 mil por mês e temos que fazer vários eventos beneficentes durante o ano para tentar evitar um rombo. Somos aprovados em projetos governamentais, mas essas verbas nunca chegam”, desabafa Abelardo Castro, gestor administrativo-financeiro do Querubins.

Sem o recurso, toda a cadeia produtiva do Música Minas fica prejudicada

O Música Minas é um programa que incentiva a circulação de artistas mineiros por outros Estados e pelo exterior, permitindo assim uma maior divulgação da arte produzida no Estado. Como seus recursos são originários do Tesouro Estadual e os participantes do Fórum da Música são entidades privadas, a Advocacia Geral do Estado (AGE) entende que o repasse de recursos públicos para elas está vedado pela mesma Resolução 23.089.


A decisão de impedir que os recursos destinados ao programa pegou os artistas de surpresa. “Só soubemos do impedimento em abril. Se tivéssemos conhecimento disso no ano passado, poderíamos ter nos planejado, buscando alternativas ou procurando fazer o convênio em dezembro. Agora os 25 artistas contemplados deixam de viajar e assim ficam prejudicados toda uma cadeia produtiva formada por produtores, técnicos, donos de casas de shows, entre outros”, afirma Cláudia Brandão, membro do Fórum da Música e diretora do Museu Clube da Esquina.


Segundo ela, no ano passado os músicos que viajaram pelo Música Minas fizeram questão de falar em suas apresentações sobre as vantagens do programa e produziram ainda um catálogo e um DVD. “Vendemos para o mundo algo que hoje não existe. Essa descontinuidade faz com que percamos a credibilidade que ganhamos no mercado”.


Na quarta à noite, na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, os membros do Fórum da Música se reuniram com a classe artística para um debate sobre a descontinuidade do Fórum Minas. Em pauta, o fato de outros convênios do Governo de Minas terem sido renovados e a legalidade da determinação da AGE.


Em carta aberta, o Fórum da Música afirma que o ex-secretário de Estado de Cultura Paulo Brant garantiu em dezembro de 2009, em assembleia do setor, que o programa não seria interrompido.



segunda-feira, 29 de março de 2010

Segue matéria minha que o Hoje em Dia publicou no último dia 25. Espero que seja de bom grado para quem gosta de ler sobre autoajuda empresarial. Eu admito que estou adorando escrever sobre o universo corporativo - embora seja uma profissional bem anticorporativa...

Equilíbrio impulsiona sucesso

Especialistas orientam como usar a inteligência emocional para obter sucesso na carreira

Um discurso corriqueiro no universo corporativo: a inteligência emocional (QE) é fundamental para o sucesso de uma carreira profissional. Se antes as empresas estavam preocupadas em contratar pessoas com alto QI (índice de capacidade cognitiva), hoje elas preferem funcionários que tenham controle sobre seus sentimentos e saibam se relacionar harmonicamente com colegas e subordinados. Mas, afinal, como desenvolver a QE, tão apreciado nos setores de recursos humanos?Segundo o psicanalista, administrador e consultor de empresas Osório Roberto dos Santos, a inteligência emocional é inerente ao ser humano, pois todos têm a capacidade de perceber a realidade por meio de seus próprios desejos. Mas as pessoas que conseguem equalizar melhor o mundo exterior com suas ansiedades são aquelas que passaram por um processo de autoconhecimento.
“A sabedoria está em saber quais são os meus desejos e entender que os outros também têm os seus próprios desejos. Para que possa trabalhar da melhor maneira possível, tenho que me conhecer, fazer uma leitura fluente da minha vida como se fosse um livro”, explica Santos, completando que as pessoas lançam mão da QE em todos os instantes da vida, mas isso só fica evidente nos conflitos. Ele afirma ainda que o autoconhecimento exige um contato íntimo com um mentor, que pode ser um terapeuta, um parceiro, um professor, um amigo, um parente ou um líder espiritual.
"Uma característica bastante peculiar do ser humano é de que ele precisa sempre do contato com outra pessoa. É da nossa natureza a necessidade da comunicação com o outro, porque somos os únicos animais que aprendem a viver. Mas para que haja o autoconhecimento, é importante o contato com uma pessoa que tenha um perfil de mentor, pois gera admiração. Mas ela não pode reproduzir suas características. A diversidade aqui é fundamental”, diz o consultor. Caso a pessoa não enxergue o mentor em ninguém, o ideal é buscar um psicólogo.
Segredo é tirar proveito dos problemas
O consultor Ricardo Melo afirma que a falta de autoconhecimento se reflete facilmente nas relações profissionais. “Se uma pessoa com baixa autoestima recebe uma crítica de seu chefe, ela reage de forma negativa e fica até depressiva. Agora, quem se conhece bem, entende que seu superior está questionando o trabalho e não a pessoa em si. Encara esses conflitos com muito mais lucidez”, diz.
Ele explica que, para se conhecer com profundidade, deve-se saber as origens dos sentimentos. Por exemplo: as dificuldades do momento existem por que a vida está realmente difícil ou por causa de uma acomodação?
“A primeira fase do autoconhecimento é a mais difícil, porque ela exige que a pessoa deixe de lado as queixas a que está acostumada e vá em busca da resolução para as suas questões. Algumas pessoas conseguem fazer essa autoanálise por meio de informações adquiridas em livros e conversas, outras não dão conta de fazer um autoconhecimento sozinhas e procuram por um profissional”, esclarece Melo.Segundo ele, a busca pelo conhecimento sobre si mesmo é algo que deve ser feito constantemente para que tenha realmente uma inteligência emocional bem desenvolvida. “Tem gente que faz essa reflexão uma vez só na vida. Como um desempregado que busca melhorar sua QE para conseguir um trabalho passa num processo de seleção de emprego, mas, depois que alcança seu objetivo, esquece da importância do autoconhecimento. Essa pessoa corre o risco de cometer os mesmos erros no futuro”, alerta.
Para que a autoanálise seja uma constante na vida de quem deseja ser equilibrado emocionalmente, tanto na vida pessoal quanto profissional, Melo dá uma dica: fique atento às situações que lhe causam incômodo. “Não podemos ver os momentos complicados como inimigos, pelo contrário. Em vez de perguntar ‘Por que comigo?’, pergunte ‘O que posso aprender com isso?’ Essa postura humilde e sábia ajuda muito a resolver os problemas”.
Para explicar a diferença entre quem não sabe racionalizar seu emocional e quem trabalha a própria QE, Melo conta uma metáfora. “Quando você está numa estrada e entra em um nevoeiro, pode ter duas reações: desespera e freia, permitindo que outras pessoas batam em sua traseira, ou reduz a velocidade e continua dirigindo de forma prudente, sabendo que o nevoeiro não vai durar para sempre. Quem domina o seu emocional enfrenta o nevoeiro”.
Psicólogo pode ajudar na autoanálise
A presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos em Minas (ABRH-MG), Cristiane de Ávila Fernandes, afirma que o exercício de autoconhecimento pode começar com o diagnóstico de um profissional especializado no assunto. “Uma pessoa que faz serviço de coaching pode levantar uma relação de características da pessoa para depois definir estratégias de ações em que serão trabalhadas as questões e reforçados os pontos fortes. Dependendo do diagnóstico, o profissional vai indicar para ela um psicoterapeuta”, conta Cristiane. Segundo ela, os profissionais de recursos humanos também estão se preparando para orientar os funcionários das empresas em que atuam para que realizem um trabalho de autoconhecimento.
Osório dos Santos também acredita que uma empresa pode investir no desenvolvimento da QE entre seus funcionários. Treinamentos, bonificações, palestras e o contato direto com os processos ajudam nisso. O número de empresas interessadas em trabalhar o assunto cresceu de tal forma que o consultor investiu num local dedicado a treinamentos que trabalham o QE – o Espaço Terra, 30 quilômetros São Paulo.
Segundo ele, a QE é uma das principais características dos melhores líderes e gestores, por isso a importância de se conscientizar sobre o assunto as pessoas que fazem parte do universo empresarial. “A legitimação de um líder, portanto, está muito mais diretamente ligada à QE do que ao QI, pois é da perfeita capacidade de coordenação, persuasão, articulação e inspiração que saem as principais metas de liderança”, afirma Santos.Saiba mais em www.culturaegestao.com.br e www.institutoricardomelo.com.br.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Árvore da vida

Segue reportagem minha sobre o projeto social da Fiat Árvore da Vida, publicada ontem no Hoje em Dia.
Conheci o projeto de perto há dois anos, quando trabalhei de forma indireta para a montadora. Acho que ele pode crescer muito ainda, mas com certeza já faz muita diferença na vida de algumas pessoas que vivem em um dos bairros mais violentos da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Ações mudam vida de bairro

Há três décadas, a Fiat anunciou a implantação de uma fábrica em Betim. O fato causou um grande impacto socioeco-nômico: centenas de pessoas de todas as partes de Minas Gerais e do país mudaram-se para a cidade da Região Metropolitana, com esperança de conseguir emprego com carteira assinada na fábrica da montadora italiana. Mas a procura por vagas sempre foi maior do que a oferta e, aos poucos, foram crescendo bairros pobres no entorno da fábrica. Com altos índices de violência, o Jardim Teresópolis e a Vila Recreio se tornaram casos de vulnerabilidade social. No início desta década, a diretoria da Fiat compreendeu a importância de mudar a
realidade da região e realizou um estudo para diagnosticar as características socioeconômicas dos moradores dessas comunidades e partir para ação, buscando a promoção da inclusão social. Com os dados em mãos, a montadora estabeleceu parceria com as ONGs Fundação AVSI e Cooperação para o Desenvolvimento e Morada Humana (CDMH) para a criação de um programa de ações socioeducativas, que visassem diminuir os problemas sociais da região (por exemplo, o fato de que 40% dos cerca de 7 mil jovens de 16 a 24 anos não possuíam nenhuma formação profissional).
Assim, em 2004, nasceu o Árvore da Vida, que conta também com um grupo de parceiros, denominados Rede Fiat de Cidadania, formado por instituições públicas e um conjunto de empresas privadas para o desenvolvimento e apoio nas realizações das atividades em prol da melhoria da qualidade de vida da região. O programa está divido em três frentes de atuação: atividades socioeducativas, geração de trabalho e renda e fortalecimento da comunidade.
"No início do Árvore da Vida, tínhamos dois desafios: estabelecer relacionamento mais próximo com a comunidade vizinha, que se constituiu ao longo de três décadas, e permitir que ela se desenvolva de forma independente, criando mecanismos para melhorar os índices de vulnerabilidade desses bairros", afirma a coordenadora da Área de Relacionamento com a Fiat, Ana Veloso. Segundo ela, a diretoria da montadora percebeu que o caminho para a resolução dos problemas sociais era criar ações nas área de educação e encaminhamento para o mercado de trabalho, gerando empregabilidade na comunidade.
No programa são oferecidas atividades esportivas, oficinas de canto, dança, percussão, memória e história, reforço escolar, alfabetização, formação humana às crianças e adolescentes entre 12 e 16 anos e acompanhamento familiar e escolar. Visando a geração de trabalho e renda, o Árvore da Vida desenvolve também atividades em prol da melhoria da empregabilidade a partir de cursos de capacitação profissional e encaminhamento ao mercado de trabalho, além de manter um Centro de Referência ao Trabalhador, onde os moradores recebem orientações sobre elaboração de currículos e postura em entrevistas, além de ter acesso a livros, periódicos e ofertas de emprego de acordo com suas habilidades. Em parceria com o Isvor, o programa oferece cursos de eletromecânica, eletroeletrônica e funilaria para vagas presentes em concessionárias da Fiat. Dos 102 jovens formados em cursos de formação profissional no setor automotivo, em Betim, entre 2006 e 2009, 88 deles estão inseridos no mercado de trabalho, ou seja, 86%.
No final do ano passado, 191 jovens das oficinas de memória e história, canto, dança e percussão participaram do CD infantil e espetáculo "Árvore da Vida apresenta A Zeropeia", produzido pelo músico Flávio Henrique do Studio Via Sonora. Baseado no livro "A Zeropeia", escrito pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, o espetáculo foi apresentado, entre outros locais, no Teatro Izabela Hendrix e no evento de Natal Vila dos Sonhos da Coca-Cola.
A pré-adolescente Bruna Poliana Rodrigues da Silva, 12, é uma das beneficiadas pelo Árvore da Vida. Há um ano e meio, a garota participa das oficinas de dança folclórica e contemporânea. "Gosto muito das minhas aulas, não falto a nenhuma. Sinto que, depois que passei a frequentar a oficina, houve uma mudança no meu comportamento, agora sou mais comunicativa ao lidar com as pessoas. Agora, não fico mais em casa pensando besteira, mas aproveitando bem o meu tempo", diz a aluna da 6ª série, que pretende fazer cursos de capacitação no futuro.
Moradores estão mais articulados
Um dos principais objetivos do Árvore da Vida na atualidade é trabalhar o empoderamento dos moradores do Jardim Teresópolis, para que o desenvolvimento so-cioeconômico da região seja permanente. Em 2009, foi formalizada a criação de uma rede de gestores locais, que tem conquistado importantes resultados a partir da articulação entre empreendedores do bairro, poder público e Rede Fiat de cidadania.
"Eles saíram da fase do diálogo e partiram para ações concretas. Criaram uma rádio comunitária e estão se articulando para pedir a instalação de uma agência bancária e uma agência dos Correios no bairro. No Natal passado, os comerciantes se juntaram, compraram uma máquina de lavar roupas para um sorteio entre as pessoas que comprassem nas lojas do Jardim Teresópolis. Foi uma maneira de incentivar as pessoas a fazerem suas compras ali e não no shopping", conta Ana Veloso. Essa articulação entre os empresários aconteceu depois que o Árvore da Vida passou a promover um curso básico "Empreendedorismo".
Depois de cinco anos de programa, ainda não há pesquisa completa sobre seu impacto na comunidade, mas alguns resultados já podem ser percebidos no Jardim Teresópolis. "Os números das nossas pesquisas ainda não estão disponíveis para divulgação, mas sabemos que aumentou a sensação de segurança entre os moradores. Isso se deve não apenas ao programa, mas também às ações promovidas pela Prefeitura de Betim. Conversando com as lideranças locais, também percebemos que há agora uma relação mais franca, respeitosa e confiante entre a comunidade e a Fiat", afirma Ana. Ações multiplicadas
Entre os vários braços do programa social Árvore da Vida, a Cooperárvore merece destaque. Formada por 23 moradoras do Bairro Jardim Teresópolis, desde 2004 a cooperativa cria objetos artesanais a partir de materiais recicláveis vindos, em boa parte, da Ilha Ecológica da Fiat e de seus fornecedores. Bolsas, chaveiros, almofadas, jogos e camisetas são alguns dos produtos confeccionados dentro do projeto, que nasceu com o objetivo de ser fonte de geração de trabalho e renda para a comunidade do entorno da fábrica."Nossa linha de produtos sempre conta com materiais reaproveitados. Alguns deles vêm da Fiat, como cintos de segurança ou tecido automotivo, outros nós mesmas compramos, como couro, tecido de algodão ou tecido produzido a partir de garrafas PET", afirma a gerente da Cooperárvore, Luciana de Freitas. Ela explica que as cooperadas trabalham em casa ou no galpão localizado junto à sede do programa Árvore da Vida e recebem o pagamento de acordo com o número de produtos fabricados.
Os principais clientes da Cooperárvore são todas as empresas da Rede Fiat de Cidadania (Fiat Automóveis, seus fornecedores e concessionárias), que encomendam brindes durante o ano todo. Mas a empresa já tem conseguido conquistar novos horizontes. A Speciosa de Moraes Soares, representante de artesanato em Berlim, na Alemanha, encomendou 200 produtos da cooperativa, como capa para notebooks, bolsas femininas, necessaries e chaveiros, feitos com tecido automotivo e cintos de segurança. Esse acordo é uma consequência da participação da Cooperárvore no Salão do Artesanato, realizado em agosto do ano passado para importadores e lojistas. No ano passado, a Cooperárvore participou de 27 eventos, entre eles duas grandes feiras: Conexões Solidárias e Feira Nacional do Artesanato, no Expominas. A cada ano, novos produtos são desenvolvidos por um designer. Em 2010, a coleção tem como tema os pássaros, estampados em bolsas, almofadas e mochilas esportivas. Em 2009, 19.679 peças foram produzidas pelas cooperadas.
Iracema Pereira Costa Salgado, 49 anos, é uma das 23 cooperadas que viram suas vidas transformadas depois que passaram a trabalhar no Árvore da Vida. Há seis anos, ela era uma dona de casa que tentava se livrar de depressão. Hoje, com o trabalho e o contato com as amigas, ela se sente realizada. "Com o dinheiro que recebo, comprei uma máquina de costura e uma terrinha em Mateus Leme, junto com meu marido. Esse trabalho me colocou para cima, estou com uma autoestima muito maior", afirma a cooperada.
Iracema ainda fez questão de levar toda a família para participar do Árvore da Vida. Sua filha caçula, Daiane, 19 anos, acaba de se integrar à Cooperárvore. A filha do meio, Shirlei, 23 anos, fez curso de qualificação no programa e hoje trabalha como secretária na PUC Betim. Seu filho mais velho, Alcides, 24 anos, conseguiu um emprego na fábrica da Fiat depois de concorrer a uma vaga, munido de carta de recomendação dos coordenadores do Árvore da Vida. "Engajei meus filhos, e agora nossa família está muito bem estruturada. O programa está sendo uma experiência maravilhosa em nossas vidas", resume.
Voluntários engajam a comunidade
Além de trabalhar a inclusão social por meio de cursos e oficinas, o Árvore da Vida busca o fortalecimento da comunidade, ao incentivar encontros periódicos com lideranças e gestores locais. O objetivo é torná-los cada vez mais aptos a serem instrumentos para a melhoria permanente do desenvolvimento e da qualidade de vida na região. Desde a implantação do programa, foi formado um grupo de referência, uma rede social com voluntários do próprio bairro que fazem uma ponte entre o programa e a comunidade. Nas reuniões realizadas mensalmente, os participantes recebem as informações a serem transmitidas aos moradores e definem as estratégias de comunicação. Outra ação desenvolvida para fortalecer a comunidade é a promoção de cursos para
gestores comunitários, como os diretores de escolas. Os participantes aprendem a elaborar e executar projetos de interesse para a comunidade em diversas áreas, como saúde, educação e trabalho.
A empresária Ester Pinto de Oliveira Guimarães, 62 anos, faz parte do grupo de referência. Dona do restaurante Fogão de Minas, ela se sente realizada em participar ativamente do Árvore da Vida. "Gosto muito de interagir com as pessoas, de lidar com o público. Vi no grupo uma maneira de estar mais próxima da comunidade. É uma grande alegria ver que posso contribuir para minimizar as necessidades e as dores dos outros", conta Ester, que pretende ministrar um curso de culinária no Árvore da Vida, voluntariamente.
A empresária e seu marido, Roberto Guimarães, fizeram parte da primeira turma do curso de empreendedorismo do programa e agora usam o que aprenderam em seu negócio. "Temos o restaurante há 18 anos e, com as aulas, vimos que sempre podemos melhorar algumas coisas em nosso empreendimento", conta.

Geneton

O Geneton Moraes Neto escreve muito - nos dois sentidos: escreve bem e em textos extensos. Não sou fã incondicional de seu estilo tão particular de fazer entrevistas (sempre colocadas como bombásticas, embora muitas vezes não seja), mas gosto de passear pelo seu blog de vez em quando.
Aproveito para fazer apologia da última postagem do jornalista, sobre Cid Moreira. É um exercício divertido sobre os bastidores da nossa profissão.
Especialmente essa parte:
"Quanto a ser ou não especialista: jornalista, como se sabe, é aquele ser bípede capaz de se transformar, em poucos minutos, num profundo especialista em todo e qualquer assunto. A cena é corriqueira nas redações. Cai um avião, por exemplo. É pule dez dez: logo, logo, na reunião de pauta, um jornalista começará a pontificar sobre segurança aérea, treinamento de pilotos, técnicas de resgate, profissão de aeromoça, capacitação de comissários de bordo, envio de equipes de salvamento, programação de robôs etc.etc. Faz parte do ritual da profissão. A sorte é que, antes de ir ao ar, tais teses passarão por “n” filtros."

aos interessados, segue o link:
http://colunas.g1.com.br/geneton/

terça-feira, 16 de março de 2010

Jovens precisam de qualificação

Amigos,
Segue reportagem minha que saiu na página de Empregos do classificados no domingo passado. Fala sobre a necessidade de qualificação e capacitação entre os jovens.

Qualificação abre portas para jovens
Especialistas orientam quem tem de 18 a 24 anos sobre como se preparar para o mercado

A Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) de janeiro apontou que a taxa de desemprego está caindo na Região Metropolitana de Belo Horizonte, mas que ainda é muito elevada entre os as pessoas com idade de 18 a 24 anos - 18,7% dos jovens dessa faixa estão à procura de trabalho. Segundo o coordenador técnico da PED pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Mário Rodarte, esse é um problema é crônico e estrutural presente não apenas no Brasil, mas também em países desenvolvidos.
"As empresas afirmam que há uma inadequação entre o setor produtivo e o que é aprendido nas escolas, e isso é um grande entrave. Além disso, nossas pesquisas mostram que as pessoas que investem em educação e qualificação têm mais êxito na carreira profissional", afirma Rodarte. De acordo com o coordenador técnico, as pessoas que conseguem adiar sua entrada no mercado de trabalho, priorizando a escolaridade, têm mais chances de serem bem recebidas pelas empresas do que aquelas que abandonaram os estudos .
Mas não basta ter boa escolaridade. É importante se preparar para a função que deseja exercer. "O problema enfrentado pelos jovens não é tanto a falta de experiência, mas sim a falta de qualificação profissional. A grande questão é que praticamente todos os cursos são pagos e é a família quem tem que pagar pela capacitação do jovem", diz Rodarte. Até mesmo as ocupações que antes empregavam pessoas de baixa escolaridade, hoje requerem estudo e capacitação. "Mesmo com experiência, um porteiro tem dificuldade para encontrar emprego se não souber mexer no computador".Senac oferece cursos de qualificaçãoNo Senac Minas, há diversas opções de cursos de capacitação, graduação, extensão, técnico, pós-graduação e educação a distância nas áreas de comércio, serviço e turismo. "Temos ido a escolas públicas e privadas para sensibilizar os jovens para a importância da formação. O setor de serviços também demanda mão de obra qualificada. Com os crescimento econômico, setores como informática, hotelaria e gastronomia têm aberto muitas vagas, mas exigem capacitação por parte dos candidatos", esclarece o superintendente de soluções corporativas do Senac, Silvair Marques de Azevedo. Isaac Sousa Tito, 21 anos, pretende fazer carreira na área de gastronomia. Ele fez o curso de garçom no Senac e logo conseguiu um bom emprego. "Já trabalhava como garçom num pequeno restaurante e decidi fazer o curso. Saí de lá para a Cervejaria Devassa e logo fui convidado para trabalhar no Armazém Medeiros, um restaurante de alta gastronomia. Meu salário melhorou muito", conta.
E para quem acredita na importância da constante capacitação, o Senac oferece o programa Itinerário Formativo. "Quando uma pessoa chega ao Senac, estudamos com ela quais são os passos de desenvolvimento que devem ser dados para crescer na carreira. Uma pessoa que começa como garçom, pode fazer vários cursos e, no futuro, fazer um MBA em gastronomia", diz Azevedo.
O garçom Kleberton Silva, 20 anos, leva a sério a oportunidade de crescer na área de gastronomia. Campeão mineiro na Olimpíada do Conhecimento do Senac, o jovem atualmente faz o curso de cozinheiro e já faz planos para o curso de sommelier. "Cheguei a gerenciar um restaurante, mas estava difícil conciliar trabalho com os estudos e preferi priorizar o curso. Atualmente, trabalho como garçom em eventos nos fins de semana e vou ministrar um curso básico para garçom, em Cláudio", relata. Morador do Bairro São Benedito, em Santa Luzia, Silva tem como meta ser professor no Senac. "Meus professores tiveram boa carreira no mercado e se preparam bastante".
Porta de entrada no mercado

Em muitas famílias, o adolescente é obrigado a contribuir para o pagamento das despesas da casa e precisa trabalhar. Para que possa dar os primeiros passos no mercado de trabalho, sem afetar a qualidade dos estudos, a melhor opção é procurar por estágios. O caminho para descobrir onde estão as vagas de estágio é o CIEE-MG, que busca conscientizar empresários para importância de contratar jovens, de acordo com as normas da Lei 11.788/2008.
“Procuramos convencer as empresas sobre a importância social de empregar o jovem por meio do estágio, explicando que muitas pessoas precisam trabalhar para pagar seus estudos. Temos poucas opções de cursos e faculdades gratuitos em nossa cidade”, explica o superintendente adjunto do CIEE-MG, Sebastião Alvino Colomarte. No último bimestre, as áreas mais beneficiadas com oportunidades de estágio, no nível médio, foram conhecimento geral, técnico em informática, técnico em administração, técnico em mecânica e magistério. No nível superior, administração, direito, pedagogia, ciências contábeis e psicologia.
Cine oferece cursos e palestras
Já as vagas tradicionais com carteira assinada podem ser encontradas nos postos do Sine. Lá, além das oportunidades de emprego, os jovens contam com palestras, workshops, cursos e aprendem a preparar um currículo atraente. “Existem vagas para jovens, sem exigência de experiência, mas elas requerem conhecimento. Por exemplo, uma vaga de auxiliar de escritório pede capacitação em informática”, alerta a coordenadora do Sine-Floresta, Mônica Duarte Mattos.
Segundo ela, qualificação e escolaridade não são os únicos pontos levados em conta pelos contratantes. Quem procura emprego precisa também ter postura profissional. “Tem pessoas que, em um processo de seleção, demonstram timidez e dificuldade de falar. Outras aparecem nas entrevistas usando roupas inadequadas, como camisas cavadas, decotes e até chinelos. Elas não entendem que é preciso se apresentar atraente como mão de obra”, diz Mônica.
Um grande problema entre os jovens que ainda não tiveram seu primeiro emprego é o desconhecimento sobre o mercado de trabalho. “Temos muitas vagas no setor de limpeza, e os jovens têm dificuldades para aceitar essas oportunidades, principalmente filhos de quem trabalha nessa área. Mas se eles não investiram em escolaridade e qualificação, fica muito difícil conseguir trabalhos mais bem remunerados”, explica, alertando que o salário inicial é baixo para qualquer um e que melhora conforme se aumenta a experiência e a qualificação.
Mônica dá duas dicas para o jovem que procura emprego: foco na área que deseja trabalhar (comércio, indústria, serviços, turismo) e elaborar um bom currículo. “Ele deve ser enxuto e com objetivo bem traçado. O currículo deve ser personalizado, específico para a vaga que está pleiteando. Não dá para mandar o mesmo currículo para todos os setores”, diz. Como não há como rechear o currículo com experiências profissionais, o jovem pode incluir dados sobre um trabalho voluntário.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Preciosa - um soco no estômago



Abaixo, minha resenha sobre o ótimo livro "Preciosa" publicada ontem no Hoje em Dia:

Claireece Precious Jones é tudo o que a classe média não quer enxergar. Negra, obesa, mãe pela segunda vez aos 16 anos, vítima de violência sexual constante, analfabeta. Ela é a protagonista do livro “Preciosa”, best-seller da poetisa norte-americana Sapphire que inspirou o filme homônimo que concorre ao Oscar 2010 com seis indicações.
Num primeiro momento, o romance parece ser um dramalhão completo. Afinal, tudo o que há de mais desprezível na sociedade moderna perturba a vivência da jovem Precious. Mas não. A obra de Sapphire não tem a preocupação única de denunciar os silenciosos problemas vivenciados pelos excluídos do Harlem (bairro negro de Nova Iorque). Embora retrate de maneira vívida e chocante o sofrimento intenso de uma adolescente que engravidou duas vezes do próprio pai, “Preciosa” é um livro sobre a esperança, sobre a capacidade do ser humano de se reinventar, sobre o amadurecimento.Na trama, Precious é uma adolescente reprimida em todos ambientes possíveis. Em casa, é abusada pelo pai desde a infância e espancada pela mãe diariamente. Na escola, sonha em ter amigos, namorados, participar das aulas – mas a jovem não sabe nem ver as horas no relógio. Na rua e em todos os tradicionais ambientes de socialização, é apontada como a garota gorda e feia, nascida para ser vítima eterna de gozações. Como ela encara tudo isso? Com revolta, em silêncio. Precious é expulsa da escola quando sua segunda gravidez é revelada. A jovem é obrigada a buscar refúgio numa escola alternativa, onde irá descobrir que não é a única adolescente analfabeta na principal cidade do país mais rico do mundo. Seu destino será transformado pela dedicada professora Blue Rain, que mostrará a suas pupilas que o aprendizado está ao alcance de todas. A sinopse pode dar a impressão de que “Preciosa” é recheado de lugares-comuns, uma tentativa de provar que a educação é a solução para todas mazelas sociais. Mas Sapphire apresenta a história de uma maneira particularmente dura, embora flerte com a poesia em certo momento. Neste livro, vemos que a palavra realmente pode libertar e a poesia está ao alcance de todos, até mesmo de quem só descobre a leitura aos 16 anos. E não liberta apenas porque abre os olhos para perspectivas futuras. O ato de escrever pode permitir um melhor autoconhecimento, fundamental para as mudanças de atitude. Somente quando Blue Rain entra em sua vida, Precious decide acabar com a maneira resignada com que encara sua vida. Seu silêncio marcante é deixado de lado e a garota passa a aprender a ter voz.O livro é escrito em primeira pessoa e, por isso, com toda informalidade e erros de linguagem inerentes à narradora. As primeiras linhas do romance resumem bem o que o leitor vai encontrar: “Eu levei bomba quando tava com 12 anos por causa que tive um neném do meu pai. (...) Minha filha tem Sindro de Dao. É retardada.”Em muitos momentos, Sapphire mostra ser uma escritora dotada de extrema coragem ao nos expor problemas ainda encarados como tabus. A todo momento, a personagem lembra dos estupros e seus sentimentos são dúbios em relação aos abusos. Ela sabe que era errado o incesto, mas isso não tira dela o prazer que o sexo lhe proporcionava. Com isso, a autora trata do porquê do trauma que o abuso sexual deixa nas vítimas: como algo que pode ser tão bom, pode ser tão errado?Com o título original de “Push” (empurre), o livro foi lançado originalmente em 1996. Sua construção foi feita a partir de um trabalho social que a autora desenvolveu em um abrigo para mulheres no Harlem. Embora Precious não tenha existido na realidade, muitas das pessoas com quem Sapphire conviveu no bairro negro possuem histórias parecidas com a personagem. A autora já disse em entrevista que conheceu uma garota que engravidou aos 12 anos do próprio pai. A escritora baseou-se também em seu vasto conhecimento sobre o universo literário feminino. Inclusive, sua principal inspiração foi o livro “Quarto de Desejo”, da brasileira Carolina Maria de Jesus – uma catadora de lixo semianalfabeta que se tornou escritora best seller no Brasil na década de 1960.A história de Preciosa agora ganha grandes proporções graças ao sucesso que o filme dirigido por Lee Daniels vem fazendo em cinemas de todo o mundo. As bilheterias podem aumentar ainda mais se o filme levar alguma estatueta para casa neste domingo, na 82ª edição do Oscar – a cantora Monique, intérprete da mãe de Precious, é forte concorrente para a categoria de atriz coadjuvante.Mas por melhor que seja a direção da versão cinematográfica de “Preciosa”, há elementos valiosos do livro que não puderam ser transmitidos para a telona. Entre eles, os já citados conflitos internos da personagem em relação ao próprio pai. Os bilhetes trocados entre aluna e professora, tão fundamentais na trama do romance, também perdem a força no longa-metragem. Assim como os singelos e reveladores poemas de Precious – a personagem só é revelada como poetisa na sequência final do filme, quando sua mãe afirma “soube que minha filha está escrevendo poesias”.Isso tudo não está no filme porque “Preciosa” é mais do que a trajetória de uma nova-iorquina excluída: é também um belo exercício sobre o poder da palavra e da linguagem dos renegados.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Redes sociais

Segue a minha reportagem que o Hoje em Dia publicou na sexta-feira passada, sobre monitoramento de redes sociais para empresas e marcas.

A liberdade exercida por internautas de todo o mundo está transformando a relação entre empresas e consumidores. Se antes era necessário investir num serviço de atendimento para impedir uma má divulgação pelo boca a boca, hoje as questões não são apenas resolvidas por um número 0800. Para saber como seus produtos ou serviços são recebidos no mercado, é fundamental que uma empresa moderna invista no monitoramento de mídias sociais - Orkut, Facebook, Youtube, Twitter, Linkedin, MySpace, Ning, blogs etc.
A importância desse serviço está na proporção exponencial que um comentário pode ter em uma rede social. Uma crítica sobre uma marca no Twitter, por exemplo, pode alcançar milhares de pessoas se a frase for reproduzida por vários usuários - é o que os internautas chamam de "retuitar".
Já no popular Orkut, há comunidades específicas sobre produtos (uma determinada marca de celular ou de roupa, por exemplo) em que internautas se reúnem para trocar informações. Se quem comprou algo com defeito faz uma reclamação na comunidade, essa informação pode alcançar todos os "orkuteiros" interessados em adquirir aquele produto.
Para evitar que a imagem de uma marca possa ser abalada no meio virtual, empresas estão contratando o monitoramento de mídias sociais. Embora este serviço seja muito recente no país, já é uma realidade há dois anos na Bolt Brasil Comunicação Digital, empresa belo-horizontina especializada em planejamento de mídia on line.
Segundo a responsável pelo setor de monitoramento de mídias sociais na Bolt Brasil, Janaína Oliveira, o serviço possui duas frentes: apresentar o cliente de maneira eficiente para os internautas por meio dos sites de relacionamento e mensurar o que as pessoas falam sobre uma determinada marca no mundo virtual. "Quando um cliente nos procura, interessado no monitoramento, sempre fazemos a pergunta: 'Você está disposto a ouvir críticas?' Afinal, ele poderá ver muitos comentários negativos nos sites de relacionamento", conta Janaína. Intenção é identificar reaçõesSe o empresário se mostra aberto a observar de perto a receptividade de seu produto no mercado, ele passa a receber um relatório mensal com os números de quantas vezes sua marca foi citada nas mídias sociais. "O mais interessante, na verdade, é ver o quanto a empresa foi mal falada. Muitos clientes ficam assustados ao se deparar com comentários críticos inesperados. Por meio do nosso mapeamento, pode-se identificar problemas que a empresa desconhece completamente", diz.Mesmo com todas as vantagens do serviço, há empresas que se mostram reticentes frente ao monitoramento de mídias sociais. De acordo com Janaína, alguns clientes encaram os sites de relacionamento como "coisas de menino". "Mas se um adolescente tiver contato com uma marca pelo Orkut, as chances de adquiri-la quando for adulto é muito maior ".
Quando a Bolt Brasil se depara com uma crítica que pode ter uma rápida propagação, logo o cliente é avisado e são tomadas decisões sobre como abordar a situação."Mostramos ao cliente que a resposta deve ser imediata e ignorar a crítica é muito pior. Os usuários da Internet exigem uma velocidade muito maior na resolução de questões. Isso porque uma crítica pode sair do nosso controle. Se tenho 900 seguidores, são 900 pessoas que terão acesso ao meu comentário. Se uma amiga reproduzir aquilo, todos os seguidores dela também vão ver o meu comentário", explica Janaína.
Entre os clientes da Bolt, está o Chevrolet Hall. Depois de realizar um estudo, a empresa e a agência viram a importância de se alcançar os consumidores via Twitter, Orkut e Youtube. "A adesão do público foi muito forte. Recebemos todo tipo de comentários: elogios, críticas, sugestões de promoções, perguntas de por que determinado artista não vem para Belo Horizonte etc. E estamos muito abertos a isso", afirma Fábio Gomides, analista de Comunicação do Chevrolet Hall.